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  • Retornando ao pó: conheça passo a passo o processo de cremação

    Conheça as etapas do processo de cremação atualmente, com o uso de tecnologias que permitem total segurança. E descubra: por que a cremação tem ganhado tanta popularidade?

    Desde os inícios dos tempos, o processo de cremação, por mais rudimentar que fosse, está presente na humanidade, como comprovam pesquisas arqueológicas. Essa prática não era simplesmente conveniente, de Oriente a Ocidente, cada população tinha a sua condição para realizar o processo de cremação.

    Podemos afirmar isso porque, em primeiro lugar, há vestígios de corpos incinerados que datam de 25000 anos atrás

    O registro mais antigo do processo de cremação foi encontrado por meio de pesquisas arqueológicas no Lago Mungo, na Austrália – um lago seco rico em matéria orgânica compacta, ideal para investigar fatos da Antiguidade.

    Em segundo lugar, ao longo da história essa prática foi identificada em diversas culturas distintas desde muito antes de Cristo. No entanto, perdeu sua popularidade no Ocidente a partir da ascensão do catolicismo.

    Atualmente, esse assunto tem ganhado um novo destaque, não mais por questão de crença ou religião, mas porque o processo de cremação mostra-se uma solução sustentável e promotora de um maior controle sanitário.

    Vamos entender, então, o histórico do processo de cremação na sociedade ocidental e como ele é feito atualmente, depois do sofisticado desenvolvimento de tecnologias de automação.

    Acompanhe a seguir!

    Antes, aqui vai uma dica de leitura: Como viver o luto: saiba lidar com o sentimento do sobrevivente.

    O processo de cremação: uma linha do tempo

    Nas sociedades orientais, majoritariamente budistas desde centenas de anos a.C, a cremação há muito é praticada, por questões culturais e religiosas, e isso manteve-se ao longo do tempo, uma vez que populações, tal como a japonesa, mantém vários de seus dispositivos culturais milenares em relação ao funeral.

    Por outro lado, no Ocidente houve uma mudança histórica significativa em relação a isso. 

    Já que, a cultura da Europa e das Américas tem influência direta de civilizações antigas, tais como o Antigo Egito, localizado no Oriente Médio, a Grécia Antiga, localizada no Sul europeu, e o Império Romano, localizado na Europa Ocidental.

    Com essas organizações políticas como referência, podemos traçar uma linha do tempo das práticas do processo de cremação, desde as suas técnicas mais rudimentares, até a tecnologia implementada atualmente.

    O Antigo Egito é conhecido pelas mumificações, o que nos indica que a cremação não era uma prática comum. Aqueles que eram de famílias nobres e deviam ser exaltados tinham seus corpos conservados e sepultados em edificações sagradas.

    Na Grécia identifica-se o processo de cremação desde 1.000 a.C e os romanos a praticavam desde 750 a.C. Diferentemente dos egípcios, essas populações consideravam a cremação um destino nobre para os mortos.

    Assim, eram sepultados apenas aqueles que não eram considerados dignos de uma celebração fúnebre apropriada. 

    Quase como uma punição, o sepultamento era reservado a criminosos, suicidas e àqueles cuja causa da morte era vista como castigo divino.

    Como a cremação despopulariou-se no Ocidente? 

    Nos últimos anos do Império Romano, que dominou e influenciou todas as culturas da região, a Igreja Católica já conduzia as diretrizes das práticas funerárias. Assim, a partir do século V o processo de cremação passou a ser aos poucos considerado inadequado.

    Essa posição tem motivo religioso. O fundamento da negação da cremação pelos católicos vem da história de Jesus, que pôde ressuscitar e retornar ao seu corpo sepultado, deixando seu túmulo vazio. 

    Assim, a crença na possibilidade de ressurreição é o grande motivo para os católicos rejeitarem a cremação.

    Essa ideia influenciou o mundo ocidental por muito tempo, desde os primórdios da Idade Média (século V) até a Idade Moderna (século XV a XVIII). 

    Dessa maneira, a cremação era feita como punição, para que pessoas consideradas indignas não tivessem a possibilidade de ressurreição; ou ainda como protesto contra o catolicismo, sendo uma maneira de provar que a ressuscitação não seria possível – isso principalmente durante a Revolução Francesa.

    Ou seja, a obrigação do sepultamento e a visão da cremação como um ato de heresia predominou durante todo o Renascimento e na Era dos Descobrimentos, de maneira que a colonização do Novo Mundo foi feita com base nesses princípios. 

    Cerimônia de cremação na cultura oriental

    A cremação nas diferentes religiões

    Em resumo, a cremação é um dispositivo cultural que diz muito sobre o comportamento das populações ao longo do tempo

    De maneira geral, a Igreja Católica não recomenda a cremação, embora o ato não seja proibido desde 1963.

    Assim, a Igreja Anglicana prefere a cremação desde 1944, sendo isto uma consequência da Segunda Guerra Mundial que aumentou significativamente o número de óbitos.

    As Igrejas Ortodoxas, na Rússia, Grécia e na Sérvia proíbem categoricamente a cremação.

    O hinduísmo, o xintoísmo e o budismo praticam a cremação, como um ato de facilitar a ascensão dos espíritos e o desprendimento do mundo terreno.

    Por último, o islamismo proíbe a cremação, sendo o sepultamento a prática mais encorajada.

    A cremação na contemporaneidade

    Embora a escolha pelo processo de cremação esteja fortemente relacionada com as crenças religiosas e seja algo construído historicamente, fazendo parte dos estudos da Teologia, atualmente outros fatores influenciam na opção da cremação

    A influência religiosa é notável: na Itália contemporânea, predominantemente católica, apenas cerca de 4% da população é cremada. Enquanto países que não seguem o cristianismo cremam massivamente os mortos, como o Japão, que tem uma taxa de 98%.

    Em países formados pela miscigenação cultural, como o Brasil, essa escolha não depende apenas da religião, mas considera também problemas infraestruturais que estão relacionados ao sepultamento em massa.

    O aumento da densidade demográfica e o consequente aumento do número de mortos fazem com que enterrar todo mundo seja inviável, como já indicam países do Norte europeu desde as grandes guerras.

    Assim, os benefícios do processo de cremação em relação a sua praticidade, economia de espaço físico, capacidade de neutralização de doenças infecciosas e sua adequação quanto à sustentabilidade, são grandes indicativos da popularidade que tem ganhado durante essas duas primeiras décadas do século XXI.

    Leia também: Tudo o que você precisa saber sobre sepultamento em tempos de Covid-19.

    Passo a passo do processo de cremação em 10 etapas

    Essa contextualização histórica é relevante para que entendamos a importância e o lugar da cremação nos dias de hoje.

    As técnicas que envolvem o processo de cremação são eficazes em nosso mundo atual, em que há muita gente morrendo e nascendo todos os dias. 

    Além disso, a transformação do corpo em cinzas inibe a contaminação, tanto de pessoas, quanto do meio ambiente, por microrganismos nocivos próprios do processo de decomposição do corpo humano.

    É também a prática mais recomendada nos tempos de pandemia de Covid-19, pois as técnicas do processo de cremação tornam as cinzas matérias estáveis, ou seja, impede totalmente a propagação do vírus que estava hospedado naquele corpo.

    Assim, parece mesmo que o processo de cremação veio para ficar e pode vir a ser uma marca cultural da sociedade globalizada.

    Vejamos então, como o processo é realizado em cada uma das etapas, entendendo quais as tecnologias usadas, o tempo de duração, o que é cremado junto com o corpo humano e como acontece a transformação da massa corporal em cinzas.

    Aqui vai uma novidade que pode ser de seu interesse: A Prefeitura de São Paulo irá abrir 600 valas por dia e estuda construção de cemitério vertical na cidade.

    Passo 1: A autorização

    Para o corpo ser cremado é necessário uma autorização. Atualmente, no Brasil, essa etapa é bastante simplificada. De maneira que basta um parente em primeiro grau maior de idade declarar verbalmente a escolha pela cremação.

    Para garantir a cremação, o declarante responsável precisa ter em mãos dois documentos: a declaração de óbito e um laudo médico que informe a permissão. 

    Isso porque a legislação prescreve que se a causa da morte declarada no laudo médico for violenta ou acidental, é preciso uma autorização judicial para realizar o procedimento. 

    Além disso, a autorização pode ser garantida por cada indivíduo ainda em vida, com a formalização de uma declaração de vontade

    Este documento será veementemente respeitado pelos profissionais, independente da posição dos familiares, caso a causa da morte se enquadre nos critérios legais para a realização da cremação.

    Passo 2: Preparação do corpo

    Os procedimentos de higienização que fazem parte do processo de preparação do corpo são praxe da prática de enfermagem e acontecem quando o falecimento ocorre no hospital, independentemente da escolha por sepultamento ou cremação.

    Há outros procedimentos que também ocorrem por conta da causa da morte e não por conta da cremação. Assim, a necessidade de encaminhamento para necropsia ou autópsia vai depender do laudo médico inicial.

    Tais procedimentos são realizados por profissionais ao mesmo tempo em que a família prepara a autorização para a cremação.

    Assim, a cremação é definidora da necessidade  de dois procedimentos de preparação do corpo: o embalsamamento ou a tanatopraxia

    Por lei, um corpo só pode ser cremado após 24h a partir do óbito, de maneira que raramente a tanatopraxia é suficiente. 

    Essa prática mantém o corpo conservado em torno de 24h a 48h, por isso, a depender da quantidade de trâmites burocráticos que a família terá que realizar antes da cremação, é necessário a aplicação do embalsamamento, que mantém a conservação por mais tempo.

    Um procedimento específico do processo de cremação é a retirada de objetos terapêuticos, como marca-passos e dispositivos de implantes que podem explodir dentro do forno do crematório.

    Isso deve ser realizado nesta segunda etapa antes do encaminhamento para o crematório.

    Preparação do corpo pós-morte para infectados por Covid-19

    Quando a causa da morte é infecção por coronavírus, é altamente recomendado que seja realizada a cremação, pois o processo garante a completa neutralização do vírus. 

    Já é comprovado que a contaminação pode acontecer durante o manejo do corpo. Assim, imediatamente após o óbito, os enfermeiros devem realizar os procedimentos de preparação do corpo utilizando todos os EPIs adequados para não ser contaminado.

    Em seguida, o corpo é colocado em saco impermeável, cuja superfície é totalmente higienizada com álcool 70% ou outro desinfetante recomendado pela ANVISA.

    A TANATOPRAXIA É CATEGORICAMENTE DESENCORAJADA, de maneira que o corpo deve ser encaminhado, em caixão adequado, para a cremação imediatamente.

    A rapidez e a emergência dos procedimentos são assim determinados para evitar a maior propagação do vírus, com a contaminação de profissionais da saúde, de agentes funerários e de familiares. 

    O que dificulta a realização das cerimônias adequadas, prejudicando a aceitação da morte e interferindo nas fases do luto. No entanto, é completamente necessário que todos entendam que tais procedimentos existem para evitar mais mortes.

    Para saber as informações oficiais do Ministério da Saúde, leia: Manejo de corpos no contexto da doença causada pelo coronavírus.

    Passo 3: A cerimônia

    O velório tradicional pode ser realizado normalmente por meio do serviço funerário antes do corpo ser encaminhado para o crematório.

    Após o velório, o corpo é colocado em um caixão específico para a realização da cremação.

    No crematório há a possibilidade de realização de uma última cerimônia antes da efetivação da cremação. O lugar tem um espaço reservado para a cerimônia, que contará com pessoas mais íntimas do falecido, enquanto o velório é um culto que permite um público mais amplo.

    As homenagens fúnebres dessa última cerimônia de despedida variam de acordo com a religião e as vontades dos familiares.

    Passo 4: Congelamento

    Após a última despedida, o corpo é encaminhado para o interior das dependências do crematório. É obrigatório que o falecido fique em câmara fria por 24h antes de ser cremado.

    No entanto, há uma fila de cremação, de maneira que é possível que o corpo fique na câmara fria, em uma temperatura de 4ºC,  por mais de um dia, a depender da demanda do crematório.

    O tempo máximo de armazenamento do corpo congelado antes da cremação é de 30 dias, há casos em que esse prazo pode ser necessário, por conta de contestações judiciais, verificação de erros médicos ou investigação policial.

    Passo 5: Preparação do caixão

    Quando o corpo é finalmente liberado para a cremação é realizada a adequação do caixão, que é incinerado juntamente com o corpo.

    Assim, são retiradas as alças metálicas e os vidros, se houver, de maneira a restar apenas a madeira.

    Há caixões específicos para a cremação, feitos de materiais inofensivos à natureza, os chamados caixões ecológicos.

    Sala de cremação com tecnologias avançadas.

    Passo 6: A incineração

    O corpo é colocado dentro do forno crematório, vestindo roupas e dentro do caixão. O forno é revestido por tijolos industriais, o combustível utilizado pode ser carvão e coque. 

    Atualmente, há crematórios com tecnologias sustentáveis que utilizam gás natural, propano ou diesel para alimentar as chamas.

    Neste momento apenas o profissional responsável pode estar presente, ninguém mais pode acompanhar o procedimento de incineração no Brasil – em outros países, como no Japão, a regra é diferente.

    Em um primeiro momento, o corpo é colocado em uma câmara primária, para que seja submetido a uma temperatura de até 1.200ºC, causada por chamas diretas. 

    Nessa temperatura, o caixão e as roupas são completamente consumidos, as células transformam-se para o estado gasoso, a água evapora, cabelos e tecidos finos transformam-se em cinzas rapidamente, os músculos demoram um pouco mais para carbonizar.

    O material é espalhado com uma pá de tempos em tempos para garantir a efetividade da incineração.

    Os materiais inorgânicos, como os minerais contidos nos ossos, resistem à queima.

    Passo 7: Eliminação de odores e poluentes

    Em seguida, há o deslocamento do material incinerado para uma segunda câmara para a eliminação de odores. Assim, são eliminados gases provenientes da combustão. 

    A fumaça resultante passa por um potente filtro, de maneira que o que é liberado no ambiente através da chaminé é uma substância sem cor, cheiro e livre de agentes poluentes. 

    Passo 8: Trituração dos ossos

    Por cerca de 40 minutos o material incinerado fica em repouso, resfriando. Enfim,  o restante dos ossos é triturado, com a ajuda de uma ferramenta chamada cremulador para que se transforme em um pó fino e uniforme.

    Passo 9: A constituição das cinzas

    Com todas as partículas já reduzidas a pó, o material é peneirado para separar as cinzas da madeira das cinzas do corpo humano.

    Depois, é encaminhado para um moinho, que chacoalha as cinzas em um movimento semelhante ao do liquidificador, de maneira a alcançar a consistência de pó.

    A duração do processo de incineração vai de 2h até 5h a depender da massa corporal do falecido, incluindo os passos 6, 7, 8 e 9.

    Essa substância pesa cerca de 1,5 kg, a massa final varia de acordo com a estrutura física do corpo.

    Passo 10: A urna 

    Essa matéria final é transferida para a urna disponibilizada pela família e, enfim, é entregue aos parentes.

    Benefícios do processo de cremação

    Neste passo a passo pudemos entender quais são as tecnologias utilizadas para realizar a cremação, que hoje são muito avançadas e oferecem um procedimento eficiente.

    O processo de cremação é uma alternativa adequada para a sociedade atual porque:

    •  Todas as cerimônias fúnebres sejam realizadas;
    • Garante um momento de despedida adequado; 
    • Assegura o respeito com o meio ambiente; 
    • Impede a contaminação do solo, do ar e de pessoas;
    • Não demanda grande espaço nos cemitérios, mesmo que as cinzas sejam encaminhadas para um jazigo.

    Se não bastasse tudo isso, o procedimento também é mais barato, pois não gera gastos quanto a manutenção de jazigos e sepulturas. 

    Saiba mais em: Você sabe quanto custa a cremação no Brasil? Descubra agora.

    Esperamos que este artigo tenha sido útil e informativo para entender o que acontece na hora da cremação e qual o sentido cultural da cremação nos dias atuais.

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