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  • Repensando o luto na pandemia

    Com a crise de saúde mundial causada pelo novo Coronavírus (Covid-19) veio também a necessidade de evitar aglomerações, impossibilitando que possamos elaborar um funeral e enfrentar o luto durante a pandemia de uma forma mais tradicional, mudando a nossa relação com a morte.

    Com isso, surge um questionamento, como isso afeta nossa saúde mental? Durante o período de pandemia, que já se aproxima dos dois anos, mais de 600 mil pessoas perderam suas vidas em decorrência da Covid-19 só no Brasil. Sendo assim, em meio a tantas notícias negativas, o nosso emocional vem lidando com tantos aspectos novos diante desse cenário que pode prejudicar nossa saúde mental.

    A onipresença dos processos de luto na pandemia se tornou um dos efeitos mais evidentes nesse período. Muitas pessoas afetadas pela perda de alguém, outras com medo de perder alguém, fez com que a sensação de luto se tornasse parte de nosso cotidiano.

    Muitas pessoas usam as redes sociais para tornar público o seu luto. Isso acaba tornando a morte algo presente na vida mais pessoas, gerando uma sensação de luto coletivo, algo que a sociedade não estava acostumada.

    O sofrimento emocional diante do luto

    O luto é com certeza um dos momentos mais complicados da vida de uma pessoa e ele causa sofrimento por várias razões. Um dos principais motivos do sofrimento do luto é a perda com vínculo efetivo e social com aquele que se foi, pois nós humanos estabelecemos ao longo de nossas vidas laços que são totalmente singulares e insubstituíveis.

    Perder uma pessoa que consideramos importante é profundamente doloroso, principalmente por conta de das características do nosso corpo e nosso cérebro. A expressão de que somos “animais sociais” é algo que ouvimos quase sempre, mas o que isso significa?

    Nos humanos possuímos uma herança genética moldada para a condição de animais sociais. Pois o homo sapiens é um tipo de primata, bem como os gorilas e chipanzés, que diferente de outros animais como os felinos, não somos capazes de sobreviver sozinhos em um determinado espaço.

    Nós éramos dependentes de nossos bandos tanto pata caçar quanto para nos protegermos de nossos predadores. Isso fez com que nossa dependência ficasse gravada fortemente em nossos genes. Com isso, nosso corpo e mente foram ajustados para sermos pertencentes a um grupo social, que temos como prioridade máxima da vida.

    Se pensarmos que foi com esse mesmo corpo e mente que chegamos das cavernas até a civilização atual, podemos compreender o nosso apego pelos nossos grupos sociais. Partindo do ponto de vista evolutivo, a mudança das cavernas para a modernidade ocorreu muito rapidamente.

    Assim como aqueles humanos que moravam nas cavernas, nós sentimos a perda de certos vínculos como uma ameaça a nossa própria segurança e sobrevivência.

    O nosso cérebro muitas vezes acredita que não podemos viver sem aquela pessoa. É um condicionamento que temos desde que éramos homens das cavernas.

    Lidando com o luto na pandemia

    Lidar com o processo de luto é complicado em qualquer fase da vida, mas durante esse período de pandemia as coisas acabam se tornando mais intensas e certos cuidados com a saúde mental são muito importantes, como, por exemplo:

    • Acolher seu luto e tentar ser forte. Como já mencionamos, o luto é um processo muito doloroso por vários fatores e ele é ou será uma realidade para todos nós em algum momento da vida.
    • Permita-se chorar, se afastar do trabalho por um período e expressar a sua dor pela perda. Todos precisamos desses momentos para podermos nos recuperar e seguir em frente.
    • Não buscar o isolamento. Mesmo que o luto seja um momento muito doloroso, não é recomendado ficar sozinho, por mais que a tristeza nos faça querer se isolar é importante contar com a ajuda de outras pessoas.
    • Se aproximar das pessoas que estão passando por esse mesmo momento, assim você poderá compartilhar sua experiência. Aproveite para reforçar os laços sociais que você está tendo acesso, seja de parentes ou amigos.
    • Refletir sobre a perda é algo comum e necessário, pois os laços que se tem com uma pessoa são únicos e singulares. Pergunte-se, qual era a importância daquela pessoa em minha vida? Como a perda irá me afetar? É importante saber exatamente o que irá mudar com a falta da pessoa falecida, assim é possível estabelecer novas formas de enxergar a vida sem a presença de quem se foi. O luto pode ser considerado em última análise, como um processo que permite a nossa adaptação a uma mudança drástica de perda que ocorreu. Portanto, permita-se pensar como esse evento muda a sua vida e o que você precisa para se ajustar a nova realidade.
    • Usar as redes sociais. Mesmo não podendo nos despedir dos nossos entes queridos falecidos da forma tradicional, podemos homenageá-los de outras maneiras. Sendo assim, use a internet para se despedir e prestar suas homenagens. Aproveite para reforçar os laços com seus amigos e familiares durante este período.
    • Aceitar a perda é um passo muito importante no processo de luto. Podemos considerar que o luto é um processo ambíguo, pois sabemos da necessidade de nos readaptar a nova realidade, mas em contrapartida, sabemos que essa adaptação consolida a perda. Mas é importante saber que esse sentimento ambíguo é normal. Porém, a perda é real e irreversível, independente da sua adaptação, então, o melhor é honrar a memória de seu ente falecido, aprendendo a viver sem ele.

    O luto na pandemia

    O cenário da pandemia nos trouxe a presença constante da dor da morte em nossas vidas e também a impossibilidade de realizarmos os nossos rituais de despedidas de forma tradicional.

    Os protocolos de saúde durante o período de pandemia não permitem a aglomeração de pessoas, exigindo um distanciamento social. Por isso, os processos de luto durante esse período se tornam ainda mais dolorosos para quem perde alguém importante.

    Isso ocorre porque nós possuímos a cultura de homenagear nossos mortos, por meio de rituais de despedidas que podem incluir velório, enterro ou cremação. Durante esse processo, a família e os amigos se apoiam e prestam suas últimas homenagens.

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