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  • Quem não chora não liga: mitos sobre luto que todo mundo deveria evitar

    A morte nunca deixou de ser um tabu para a humanidade e é difícil falar sobre esse assunto. Infelizmente, a maioria de nós temos muitos mitos ligados à morte, dentre eles, está o termo “quem não chora não liga”. 

    Todas as pessoas sentem a perda de alguém que gosta, mas cada pessoa sente e demonstra seus sentimentos de forma diferentes.

    No caso de uma pessoa que demonstra poucos sentimentos e não chora diante da morte de alguém querido, pode ser que o processo de luto daquela pessoa acaba sendo evitado ou encarado superficialmente. E isso não envolve apenas aqueles que perdem um ente querido, mas também aqueles que precisam lidar com as pessoas enlutadas. 

    É muito importante saber olhar para o luto sem resistência, sabendo que ele é um processo inerente à vida de todas as pessoas. Para isso, o primeiro passo é se livrar de alguns mitos limitantes.

    Portanto, vamos desvendar mais esse mito aos discutir todos os detalhes sobre esse assunto. Confira!

    Mitos sobre o luto

    Todas as perdas e tudo que as envolve faz parte de nossas vidas e o pesar que acompanha algumas dessas perdas pode ser muitas vezes mal interpretado. Por isso, é importante rever muitos mitos sobre o luto.

    Sendo assim, o primeiro mito e ser derrubado é dizer que, quem não chora não liga. Isso porque ter que ser forte não pode ser uma cobrança.

    Primeiro vamos descartar a ideia de que a tristeza é um sentimento que apenas as pessoas fracas sentem. Isso não corresponde à realidade, pois pessoas sensíveis são muito fortes. 

    O pesar é como uma depressão: muitas pessoas manifestam seus sentimentos por meio de choro e tristeza, mas nem todos somos iguais, então, é importante não respeitar o processo de cada um.

    Por exemplo, algumas pessoas possuem depressão e não apresentam sinais evidente que estão sofrendo com essa doença.

    É preciso ser forte no momento de luto? 

    Não. Pois, o luto nada tem a haver com fraqueza emocional, muito pelo contrário, o ideal é passar por todas as fazes do luto. Pedir para alguém que perdeu um ente querido ser forte não uma coisa legal de se fazer.

    Ser forte nesse momento de perda é colocar para fora todo sentimento guardado e pedir o contrário disso é um erro. Afinal todas as pessoas têm o seu limite e os seus sentimentos por mais forte que sejam.

    É importante ter a consciência de que manifestar sofrimento por uma perda não significa fraqueza.

    Ninguém pode impedir outra pessoa de passar pelo processo de luto adequado, muito menos de mascarar sua dor. Também não é uma boa ideia ficar evitando falar de morte com a pessoa enlutada, pois ela poderá se sentir mais sozinha, pois ele saber que pode falar e expressar seus sentimentos. 

    É importante também ter o discernimento das coisas e não ficar forçando uma barra, apenas se mostre a disposição para escutar.

    Ofereça uma escuta sem julgamentos, essa é uma forma muito boa de ajudar alguém que está passando por um momento de luto. Às vezes, apenas ouvir já é uma grande ajuda, nem precisa dar conselhos. 

    Sem julgamentos

    Algumas pessoas acreditam que quem não chora não liga, mas essa é uma forma de julgamento desnecessária, principalmente quando se trata dos sentimentos dos outros. A forma como cada pessoa expressa as suas emoções é diferente. 

    Algumas pessoas choram muito e não tem problemas em expressar sentimentos na frente dos outros. Contudo, muita gente também não sente à vontade para isso. Então, devemos respeitar a forma de cada um passar pelo seu luto. 

    Durante o luto é necessária algum tipo de distração ?

    Às vezes, por querermos que a pessoa enlutada se recupere logo, por isso, acreditamos que ela precise de alguma distração. Entretanto, o fato de sugerir uma distração para o enlutado pode parecer desrespeitoso com os sentimentos da pessoa. 

    Apenas a própria pessoa enlutada pode saber o que lhe trará conforto naquele momento. O ideal mesmo é deixar a pessoa a vontade para decidir se precisa ou não de distração

    Normalmente, essa necessidade de distração não ocorre logo no início do luto, mas caso ocorra, pode se tratar de uma fuga de seus próprios sentimentos. 

    O que é o luto?

    Para que possamos lidar com o processo se luto, o ideal é sabermos exatamente o que é o luto. Assim, podemos entender melhor as pessoas que estão passando por ele. 

    O luto é considerado um processo psicológico de readaptação a vida após alguma perda. Ele é na verdade um momento de introspecção e recolhimento para que a pessoa possa assimilar e aceitar a sua nova realidade. 

    Cada pessoa reage ao luto de maneira diferente, de acordo com a sua vivência e estrutura emocional. Vivenciar o período de luto e não repreender os seus sentimentos perante a perda é essencial para conseguir voltar a vida normal o mais rápido possível. 

    Pois se todo esse sentimento não for expressado no momento certo, isso pode voltar a vida da pessoa em um momento com outro sintoma, como sentimento de culpa ou mesmo crises de choro repentinas. 

    O período de luto possui cinco principais etapas, são elas: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. Vamos ver um pouco sobre cada uma dessas etapas a seguir:

    Negação 

    O primeiro estágio do luto é a negação, que é fase do isolamento. Esse período serve como um mecanismo de defesa temporário em que a pessoa recusa a confrontar-se com a situação. 

    Geralmente, ocorre quando a pessoa é informada da morte de uma forma abrupta. Mesmo sendo considerado uma fase inicial, esse comportamento pode aparecer em outros períodos do luto. 

    Raiva 

    A raiva é o segundo momento do processo de luto e aparece quando as pessoas saem da introspecção intensa da negação e começam a por pra fora os seus sentimentos. No caso, a revolta e muitas vezes as pessoas podem se tornar até agressivas durante algum tempo. 

    Esse período pode ocorrer com todas as pessoas e vem acompanhados de questionamentos, tais como: “por que ele?”, com a intenção de aliviar o enorme sofrimento. 

    Negociação/barganha 

    A terceira fase é a barganha, que são caracterizadas por pensamentos que as coisas podem permanecer como antes e, assim, a pessoa tenta negociar com ela mesma e com os outros para isso aconteça.

    Normalmente, essas negociações envolvem algo referente a crenças religiosas, ou seja, as pessoas enlutadas tentam negociar com Deus. 

    Depressão 

    A depressão é o quatro estágio do processo de luto. Dizem que quem não chora não liga, mas cada pessoa reage de um jeito. A depressão normalmente ocorre quando o indivíduo começa a lidar de forma verdadeira com a perda.

    Depois que a pessoa já passou pelas fases de natureza mais combativas, como a autodefesa da negação e confronto da raiva, ela ainda está passando pelo período de luto que pode causa a depressão, que pode se manifestar de duas maneiras, sendo elas: depressão reativa e a depressão preparatória.

    A depressão reativa é quando ocorre outras perdas devido à morte como, a perda de um emprego, por exemplo. Já a depressão preparatória é quando a aceitação já está bem próxima e pessoa já está processando e planejando sua vida. 

    Aceitação

    A última etapa no processo de luto é a aceitação e, quando se chega nesse estágio, as pessoas conseguem lidar melhor com seus sentimentos.

    Nesse período o enlutado já consegue expressar de forma mais clara sentimentos, emoções e frustrações. 

    Normalmente, esse período do luto só é alcançado quando a pessoa para de negar aquilo que ocorreu.

    Contudo, vale ressaltar que esses passos não são um roteiro, pois eles podem se alternar de acordo com a pessoa.

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