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  • Para ser um doador, não é necessário deixar nada por escrito em nenhum documento?

    A doação de órgãos é um ato de amor e generosidade que pode salvar vidas. Contudo, no Brasil, infelizmente, a importância de ser um doador de órgãos ainda não é tão conhecida pela população como deveria. Além disso, muitas pessoas tem dúvidas sobre esse assunto.

    A falta de informações faz com que muitas pessoas acabem optando por não fazer parte do grupo de pessoas doadoras de órgãos. Por isso, no texto de hoje, preparamos para diversas informações sobre esse tema para esclarecer todas as suas dúvidas.

    Principalmente em relação a necessidade de se deixar um documento ou não informando a sua opção por ser um doador de órgãos. Confira a seguir! 

    É necessário deixar nada por escrito em documento a vontade de ser um doador de órgãos? 

    Não. No Brasil, para ser um doador de órgãos, não há a necessidade de deixar nenhum documento assinado ou registrado com a sua vontade, basta informar a família o seu desejo.

    É importante expressar a vontade de ser um doador de órgãos para parentes de primeiro ou segundo grau, como pai, mãe, filhos e cônjuge.

    Essa ação é extremamente importante, visto que são os familiares que assinam o documento autorizando a doação dos órgãos e tecidos.

    Assim, mesmo que a pessoa queira ser uma doadora de órgãos, será necessário a autorização da família para que o procedimento seja realizado.  

    Por isso, é muito importante conversar com a sua família sobre a importância da doação de órgãos, ressaltando a sua vontade de contribuir com outras vidas após a sua partida.

    A doação dos órgãos de uma pessoa com a autorização da família pode salvar muitas vidas. Isso faz com que esse diálogo seja muito importante e decisivo. Então, quanto mais pessoas souberem disso, mais vidas poderão ser salvas em nosso país.

    Quem pode ser um doador de órgãos?

    Para fins de transplantes de órgãos como rins, fígado, coração, pâncreas e pulmões, qualquer pessoa, adulto ou criança, com diagnóstico definido de morte cerebral pode ser doador. 

    A morte encefálica, popularmente conhecida como morte cerebral é irreversível e é confirmada por critérios definidos pelo Conselho Federal de Medicina, que identifica a causa de morte irreversível, a realização do teste de apneia, que é o teste que confirma a ausência de movimentos respiratórios, além dos exames que identificam a falta de fluxo sanguíneo nos tecidos cerebrais.

    Em caso de falecimento, como a família saberá sobre a possibilidade da doação?

    Logo após a declaração de óbito, a família deverá ser informada sobre possibilidade de realizar a doação dos seus órgãos e tecidos. Se a família concordar com a doação, eles serão convidados a assinarem os documentos necessários para a doação. 

    No Brasil, a retirada dos órgãos para doação só pode ser realizada pela família do falecido. Ou seja, o desejo pela doação de órgãos declarado em vida, deve ser confirmado pela família.

    Se a família recusar a doação, o processo não poderá ser realizado e os órgãos não serão retirados para a realização de transplantes. Mas, quando a família sabe que o falecido tem o desejo de doar seus órgãos, normalmente ela acaba respeitando e autorizando o procedimento. 

    Os interessados em serem doadores de órgãos podem declarar sua vontade por meio do site da Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos (Adote), bastando realizar o cadastro no site e fazer o download do cartão de doador(a) de órgãos. 

    Pessoas que não podem ser doadoras de órgãos

    Existem alguns casos em que as pessoas não podem ser doadoras de órgãos. Pacientes que são diagnosticados com tumores malignos, doença infecciosa ou doenças infectocontagiosas, tais como HIV, doença de Chagas e as hepatites B e C, não podem ser doadores de órgãos. 

    Pessoas diagnosticadas com insuficiência de múltiplos órgãos, que podem acometer fígado, rins, coração e pulmões, também não podem ser doadores. 

    O que acontece após a família autorizar a doação dos órgãos?

    Depois que a doação de órgãos é autorizada pela família são realizados vários exames para a confirmação da morte e, paralelo a esses exames, é realizada também a coleta de sangue do falecido para analisar se há a presença de anticorpos do HIV, doença de Chagas, hepatite B e C, HTLV, sífilis, citomegalovírus e toxoplasmose. 

    São realizados ainda os exames gerais de avaliação do fígado e dos rins. Após a conclusão de todas essas avaliações, o corpo do doador é encaminhado para a cirurgia de retirada de órgãos para que os mesmos sejam implantados naqueles que estão na fila de espera. 

    A cirurgia para retirada dos órgãos

    Depois de autorizada a retirada dos órgãos para transplantes, deve ser realizado os procedimentos de cirurgia de retirada, que são bem semelhantes aos das demais cirurgias. O doador é encaminhado à sala de cirurgia, onde é realizada a assepsia e a colocação de campos estéreis.

    Após o preparo inicial, os procedimentos de retirada dos órgãos para doação são iniciados. Após a conclusão dos procedimentos de retirada dos órgãos, são realizados vários procedimentos para realização de adequada reconstituição do corpo, seguindo os protocolos da Lei n° 9.434/1997.

    Depois que os órgãos são retirados, o corpo fica como antes, sem nenhuma deformidade, não havendo, portanto, a necessidade de realização de sepultamentos especiais. O doador de órgãos poderá ser velado e sepultado normalmente.

    Doar em vida é possível?

    Sim, com certeza, basta querer. Muitas pessoas pensam que a doação é algo difícil e burocrático, mas isso não é verdade e a doação pode salvar muitas pessoas.

    Um doador vivo pode doar várias partes do corpo, tais como: medula óssea, um dos rins, parte do fígado e em alguns casos até parte do pulmão, parte do pâncreas ou do intestino. 

    Qualquer pessoa maior de 18 anos e saudável pode ser um doador de órgãos. Entretanto, o receptor e o doador devem ser parentes de até quarto grau, além de possuir compatibilidade sanguínea. 

    Se o doador não for parente relacionado ao receptor, será necessária uma autorização judicial.

    A importância da doação de órgãos no Brasil 

    De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, em 2019, o número de pessoas na fila de esperar pela doação de órgãos chegou a 40 mil.

    Mesmo com o aumento no número de doações de órgãos do Brasil, existe ainda uma deficiência de informações sobre os processos dos transplantes e das doações.

    Esses fatores afetam de forma negativa o entendimento dos familiares na hora que se deparam com a solicitação da autorização de doação de órgãos. Muitas vezes a família se nega a doação de órgãos, justamente devido à falta de informações em relação ao procedimento.

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