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  • “Conversar” com ente querido que já morreu pode ajudar a superar a perda?

    Conversar com ente querido que já morreu pode ser uma coisa natural para algumas pessoas e muito estranha para outras. Recentemente, a interne bombou com uma notícia relacionada a esse assunto.

    Mesmo sabendo que seu pai nunca iria ler, a jornalista Jéssica Souza enviou uma mensagem por WhatsApp para o antigo número do seu pai falecido logo após passar no exame de habilitação. A jovem revelou que mantinha esse hábito de conversar com o seu pai mesmo ele estando falecido.

    Após a repercussão dessa notícia, muitas pessoas acharam isso mórbido, outras, por sua vez, acharam uma atitude bem bacana. Então, nesse contexto, surge-se a pergunta: conversar com ente querido que já morreu pode ajudar a superar a perda? De acordo com especialistas, sim.

    Sabendo que a sua mensagem nunca seria lida, a jovem sentiu essa necessidade de falar sobre a sua nova conquista para seu ente querido falecido. O pai da jornalista já havia morrido há cinco dias e ela já tinha reprovado no exame anteriormente. De acordo com ela, contar a novidade foi uma forma de sentir a presença de seu pai mais uma vez.

    Ela mandou a mensagem sem pensar e depois desabou por lembrar que o pai não estava mais vivo. Na verdade, a sua vontade era de poder materializar mais uma conversa com seu pai, o que não seria possível.

    Solicitação de DPVAT

    Dessa maneira, o texto de hoje falará sobre esse assunto e mostrará como conversar com um ente querido que já tenha falecido pode ajudar a pessoa a superar o luto e matar a saudade que sente da pessoa que ama. Confira!

    O processo da perda

    Jéssica Souza ainda está no processo de assimilar toda essa perda. Assim como ela, muitas pessoas costumam recorrer a aplicativos de conversa e redes sociais para tentar manter a pessoa que se foi um pouco mais presente. 

    Esse tipo de atitude é muito mais comum do que se imagina e pode até fazer bem. De acordo com especialista em comportamento humano, nesses casos, mais importante do que uma resposta é o desabafo.

    Cada pessoa encara o luto de uma maneira diferente, mas o natural diante da perda de alguém que se ama é o sofrimento. É importante pôr para fora todo o sentimento, pois cada pessoa encontra a sua forma de se expressar.  

    Quatro anos após a morte de Danielle, a jovem formada em relações públicas, Nathalie Santos Gomes, continua marcando a irmã em posts nas redes sociais. A relações públicas contou o seguinte relato: “A gente se marcava em memes falando de coisas que irmãos fazem e comentava o post uma da outra. Até hoje eu marco, mas em publicações de homenagens, em datas específicas. Sinto que estou aliviando o que estou sentindo”.

    No primeiro ano da morte da irmã, com medo de esquecer do som da voz, Nathalie sempre acessava as conversas de WhatsApp com medo de esquecer do som da voz Daniele.

    Quando se perde uma pessoa de seu convívio diário, perde-se a presença da pessoa no cotidiano, aquele contato do dia a dia com a pessoa, as atividades e as conversas, pois tudo isso não existirão mais. 

    Então, conversar com o ente querido mesmo após a sua morte é algo mais comum do que se imagina. Muitas pessoas fazem isso, principalmente quando se trata de um vínculo intenso e muito próximo, como pais, filhos, netos, irmãos, parceiros, marido, mulher.

    Nesses casos, a gente acaba falando como se a pessoa estivesse presente e continuamos a contar coisas, o que favorece a memória.

    Conversar com falecidos ajuda a manter as memórias vivas

    Quando alguém importante morre, acaba se mantendo em nossas vidas, não de forma presencial, mas em forma de lembranças. Portanto, muita gente usa desse artifício para manter a memória da pessoa querida ainda viva.

    A fonoaudióloga Letícia Carreiro Amaro também mantém contato com sua avó, que faleceu em 2020, aos 97 anos. Esse contato é feito em forma de lembranças. 

    Letícia relata: “Ainda sinto muita saudade dela, converso com ela desde sua partida, conto as novidades, peço força e orientação. Ela sempre foi minha maior conexão com Deus e acredito que agora está ao lado dele, orando por mim e me abençoando. Não tenho dúvidas que se tornou meu anjo da guarda”.

    A fonoaudióloga conta que sua mãe a presenteou com uma aliança de casamento que era de sua avó e até hoje carrega a peça para onde vai e sente como se fosse um pedaço da avó que ela tem consigo. 

    “Sempre coverso com minha avó, conta Letícia, que diz ainda que durante suas viagens fica falando o que está acontecendo. É possível que essas conversas me consolem e algumas vezes também me entristecem, mas só o fato de estar com algo que foi dela me sinto melhor”, diz a fonoaudióloga.  

    De acordo com a psicóloga Deusa Samu, especialista em tanatologia (estudo sobre a morte) pela USP, independentemente da maneira que uma pessoa escolha para se manter contato com um ente ou amigo falecido, é muito importante você conseguir externalizar os sentimos.

    Ela disse ainda que: “O fato de a pessoa manter o diálogo com uma fotografia, escrever uma carta ou um diário, incluindo a pessoa que faleceu, não causa um mal. Na elaboração do luto em si, ela estaria se fazendo bem”.

    Os tipos de luto

    Segundo especialistas, existem três grandes tipos de luto, sendo eles: o antecipado, o negado e o complicado. Cada um deles possui suas próprias características. 

    • O antecipado: é aquele que a pessoa vivencia antes mesmo de acontecer ou por medo que aconteça. 
    • O negado: é aquele que a pessoa sente, mas evita falar sobre o assunto, podendo gerar grau de sofrimento grande ou doença a médio e a longo prazo.
    • O complicado: é quando você tem que pular alguma etapa do processo de luto, o que tem acontecido muito nesse período de pandemia, onde não estão sendo realizados velórios e as pessoas não tem como se despedir dos entes queridos como gostariam. 

    A readaptação do luto

    A readaptação faz parte do processo do luto e conversar com o ente querido após a sua morte pode ser considerado um ato natural, visto que a pessoa fez parte do sua vida.

    Apenas quem recorre a este tipo de recurso sabe se isso faz bem ou mal, então, isso é um gosto particular de cada pessoa. Sendo assim, cabe ao enlutado saber a hora certa de parar ou seguir.

    Quem convive com uma pessoa enlutada deve ter paciência e respeitar os seus hábitos, pois somente a pessoa é que vai saber a hora de parar ou de seguir em frente. 

    A empatia por alguém que está sofrendo é uma ótima ferramenta de ajuda. Para aqueles que perderam alguém só em saber que possuem alguém a disposição para ouvi-la já é um acalento.

    Uma pessoa enlutada precisa pôr para fora os seus sentimentos, principalmente nesse período de pandemia que nem sempre é possível se despedir de seu ente querido como gostaria.

    Então, se você é amigo de alguma pessoa que perdeu alguém, seja solicito e escute, pois assim estará ajudando muito essa pessoa apenas com esse gesto simples e despretensioso.

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