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  • Como enfrentar o luto?

    Falar sobre a morte sem rodeios é o primeiro passo para a retomada da vida cotidiana após a perda de um ente querido. Contudo, ainda precisamos aprender muitas coisas sobre como lidar com as consequências de uma perda significativa em nossas vidas.

    O luto é a reação natural de uma perda, sendo assim, é algo comum a todas as pessoas e, mesmo sendo diferente para cada um de nós, todos sentimos de alguma forma. Portanto, é comum não sabermos o que dizer para alguém que está em processo de luto, pois muitos de nós não sabemos lidar nem com as nossas próprias perdas.

    É muito importante ter conhecimento para lidar com perdas e para ajudar alguém que está passando por elas. Pensando nisso, foram lançados dois livros de psicoterapeutas que trabalharam especificamente no campo da perda e do luto. Esses livros contêm histórias e orientações que podem ajudar você a não cair nas armadilhas e mal-entendidos ligados a perda de alguém querido.

    Nesse contexto, no texto de hoje, falaremos sobre livros que ajudam a como enfrentar o luto de uma maneira mais saudável e menos dolorosa. Confira!

    Dicas de livro que falam sobre como enfrentar o luto

    Duas obras lançadas recentemente têm como objetivo corrigir enganos sobre o tempo de duração que o luto deve ter. Por isso estão figurando entre os livros mais vendidos sobre esse assunto e apresentam dicas muito boas de como lidar com o luto.

    Um dos livros se chama “It’s OK That  You’re Not OK”, “É Ok Você Não Se Sentir Ok, em tradução livre”, de Megan Devine. Com o subtítulo “Conhecendo a perda e o luto em uma cultura que não os compreende”, o livro conta a triste história da perda do seu marido aos 39 anos, vitima de um afogamento durante as férias da família.

    Já o livro “Grief Works: Stories  of  Life, Death and Surviving”, “Reflexões Sobre o Luto: Histórias de Vida, Morte e Sobrevivência”, em tradução livre, fala sobre como as pessoas lidam com diferentes tipos de perdas. A autora desse livro é Julia Samuel, que trabalha com famílias enlutadas no Serviço Nacional de Saúde da Inglaterra e em sua clínica particular.

    Os dois livros trazem mensagens de como o luto abala a vida das pessoas e como reagir diante desse momento tão doloroso. De acordo com Julia, no luto não existe certo ou errado, nós devemos aceitá-lo da forma como ele se manifestar, em nós mesmos e nos outros.

    Segundo Megan, reconhecer que a perda é uma experiência universal é um passo importante no processo de luto. Devemos procurar entender a verdadeira natureza do luto para que possamos ter uma cultura mais útil e amorosa nesse durante esse período.

    A importância de respeitar o luto

    Segundo as autoras, o luto não pode ser visto como um problema a ser resolvido ou solucionado, mas sim como um processo pelo qual devemos vivenciar, independentemente do tempo que ele dure.

    O processo do luto não pode ser apressado pela família ou amigos. Mesmo que eles tenham a melhor das intenções ao tentar querer aliviar o sofrimento do enlutado, pois isso não é saudável. É sempre importante frisar que cada pessoa possui seu próprio tempo para vivenciar o seu luto. Todos precisam compreender e respeitar isso.

    Julia aponta que a recuperação e o rejuste de uma pessoa enlutada variam de pessoa para pessoa e que pode levar muito tempo. É importante aceitarmos a forma que o luto tomar em nós e nos outros. Quando aprendemos a reagir ao luto de uma forma que ele não se prolongue e não se intensifique podemos nos beneficiar.

    As pessoas que tentam ajudar precisam ter consciência de que o luto não pode ser encaixado em um período de tempo determinado. Muitas vezes pessoas que demoram mais tempo para compreender e superar o período de luto acabam sendo deixadas de lado pelos amigos e até por familiares.

    É preciso ter paciência com as pessoas que perdem alguém importante e por mais tempo que dure o sentimento de tristeza, essas pessoas precisam de atenção, pois cada pessoa reage de uma forma. Além disso, algumas pessoas não demonstram os seus sentimentos.

    A inspiração para escrever o livro

    Julia ainda conta uma história pessoal sobre o assunto, que a inspirou a escrever o livro. “Perdi minha mãe aos 16 anos e minha reação pode ter sido considerada anormal para alguns. Pois, depois de cuidar dela por um ano, durante o tratamento de câncer que era irreversível, sua morte foi um alívio. Eu demorei um ano para conseguir me livrar da amargura e chorar pela morte de minha mãe”, revelou.

    “Mas, levo comigo um de seus grandes ensinamentos, que é viver cada dia como se o fosse último, mas pensando no futuro, caso não seja. Quando meu marido foi diagnosticado com câncer incurável, fiquei aliviada dele partir apenas seis semanas depois e, mesmo sentindo muita falta dele, continuei seguindo a vida pelo meu próprio bem”, completou.

    “Contudo, poucas pessoas sabem que eu estava apenas cumprindo seu último pedido de continuar a viver pelo meu próprio bem, pelo bem dos meus filhos e também dos meus netos. A partir disso, decidi pesquisar e a escrever mais sobre o processo de luto paralelamente ao meu trabalho”, comentou.

    Sentir dor é normal

    Segundo a autora Megan, muitas pessoas, sejam profissionais ou não, acabam apoiando o enlutado de forma errada. Ficam encorajando a pessoa a deixar a dor de lado. Contudo, isso pode ser prejudicial ao enlutado, pois a dor proibida de ser expressa pode criar outros problemas futuros.

    A dor quando não é reconhecida e vivida não vai embora. A melhor forma de sobreviver ao luto é permitir a existência da dor, sem tentar apressá-la ou encobri-la. Julia finaliza expondo o seu pensamento a partir de sua própria experiencia dizendo que, como uma mãe enlutada, “nunca se supera certas perdas, apenas aprendemos a conviver com ela”.

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