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  • A importância de se viver o luto dos pets para a saúde mental dos donos

    Em 8 de novembro de 2020, Dinalva Santos, que é técnica de laboratório, perdeu a sua tão amada cachorrinha devido a um câncer já em estado avançado. Mesmo passado algum tempo, ela ainda não consegue olhar as suas fotos com a Mel.

    “Ela faleceu com 20 anos, em decorrência de um câncer. Estava em casa e parou de comer. Após o segundo dia sem se alimentar, levei-a ao veterinário, que me aconselhou a acabar com o sofrimento dela, pois não tinha mais como reverter o quadro”, relembra muito emocionada.

    Logo após o acontecido, Dinalva desenvolveu um quadro de depressão, pois a tristeza era um sentimento constante. Sendo assim, depois de buscar ajuda psiquiátrica, ela fez tratamento com medicamentos e terapia, para poder se recuperar.

    Para muitas pessoas pode parecer estranho que alguém sofra tanto com a morte de um bichinho de estimação. Contudo, segundo especialistas do site VivaBem, o processo do luto e a dor da perda de um pet podem ser exatamente iguais ao luto de quando uma pessoa querida nos deixa.

    É sobre esse assunto que falaremos no texto de hoje: o luto dos pets. Confira!

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    Realmente pode existir luto pela perda de um animal de estimação?

    Muita gente pergunta isso. Acha as pessoas que sofrem com a perda de uma animal exageradas. Isso porque, na literatura médica, o luto está sempre relacionado à morte de um humano.

    Entretanto, o luto não ocorre somente em casos de morte, sendo associado também em casos de perdas de algumas coisas. Isso já faz com que a gente perceba que o luto pode ser uma coisa mutável e variar de situação para situação.

    Segundo a definição da psiquiatra e psicanalista Regina Elisabeth Lordello Coimbra, “o luto é principalmente a perda de uma perspectiva da vida, que pode ser uma ideia, um sonho ou até uma fantasia imaginária”.

    Ao se falar dos animais de estimação, de acordo com a psicanalista Rochelle Aweida Veras, no momento da perda de um pet, as pessoas próximas precisam tomar cuidado para não serem indelicadas e respeitar o que o dono do animal falecido está sentindo.

    “É preciso respeitar a dor, não julgar a pessoa e, principalmente, não minimizar o sofrimento com frases do tipo: ‘Era só um cachorro, não tem motivo para tudo isso'”, explica a psicanalista.

    Portanto, existe sim o luto dos pets, pois a pessoa sente a perda de um companheiro, um amigo, um ser importante em sua vida.

    O respeito pela dor das pessoas é fundamental

    Essa dor de perder algo querido deve ser respeitada para que a pessoa consiga passar por todas as fases do luto até chegar na última delas, que é a aceitação.

    A fase da aceitação é quando a pessoa consegue lidar com a perda com menos sofrimento, retomando aos poucos a normalidade em sua vida e se adaptando à nova realidade até o luto acabar.

    O processo de luto pode durar de três meses a um ano, podendo chegar até dois dependendo de cada pessoa.

    Caso a tristeza não diminua, o indivíduo não consiga retomar sua vida e se sinta culpado e/ou infeliz o tempo todo, o problema se torna um luto patológico.

    Nesses casos, a depressão pode surgir e é de extrema importância buscar ajuda profissional, como tratamento psiquiátrico ou psicoterapêutico o mais rápido possível.

    Fim da dor e volta por cima

    A dor pela perda da cachorrinha Cindy, fez com que Márcia Zenezi, de 50 anos de idade, passasse por um doloroso processo de luto e entrasse em depressão.

    Contudo, a empresária transformou a tristeza profunda em uma grande mudança na sua vida. “Perdi a Cindy de uma maneira que nunca imaginaria. Esqueci a porta de casa aberta e ela foi para o vizinho. Já tinha 16 anos e não enxergava direito. Acabou caindo e se afogando na piscina”, conta.

    O luto fez com que Márcia percebesse o quanto seu relacionamento era tóxico e a ajudou a tomar decisões importantes, como se divorciar e vencer a obesidade após mais de 40 anos tentando emagrecer, assim, portanto, ela conseguiu perder 40 kg.

    “Quando a Cindy morreu, em vez de me apoiar, meu ex-marido me culpou, me chamou de assassina e de ‘velha esquecida’, disse que eu nunca arrumaria outra pessoa se me separasse. Esse foi o ponto de partida para começar a olhar para mim, para entender que precisava me amar mais e tomar várias decisões, como me divorciar, ter uma alimentação mais saudável e praticar exercícios”, conta Márcia, que escreveu um livro sobre a Cindy. “Nossa história foi de muito amor”, emociona-se ao lembrar.

    Cuidados na hora da despedida dos pets

    A partida de um animalzinho querido pode ser ainda mais dolorosa para o dono quando não há um período prévio de preparação e a morte acontece em um acidente ou em poucos dias após descobrir uma doença, como no caso da filha de quatro patas de Dinalva.

    “Os dias seguintes à morte da Mel foram de muito sofrimento para mim, não conseguia comer, não tinha forças nem para andar. O meu olhar era parado no nada e tinha visões como se ela ainda estivesse ali, afinal, foram 20 anos ao meu lado. Fiquei meses sem entrar no meu quarto, porque ela sempre estava lá”, recorda.

    Existem várias formas de vivenciar o luto e a despedida também pode acontecer de diversas maneiras. “Não tem regra. A pessoa pode se sentir mais confortável em levar para a cremação ou enterrar ou até mesmo querer se livrar logo das coisas para não ficar pensando nisso”, relata Veras.

    “Uma coisa bastante desafiadora é o que fazer com as coisas do pet. É fácil falar para eliminar logo para não olhar e lembrar. Mas cada um tem seu jeito de lidar, há os mais práticos que não querem ter o apelo visual para despertar um sentimento, já outros precisam daquilo para passar por todo esse processo”, diz a psicóloga especialista em terapia comportamental Daiane Daumichen sobre os aspectos dessa despedida. 

    A especialista ainda fala que, caso a pessoa sinta que precisa de um tempo a mais para se despedir desses objetos, é interessante que ela os guarde em uma caixa num lugar mais reservado. “Sempre que sentir saudade ou precisar recordar, recorra a esse espaço. É melhor do que jogar tudo fora por impulso e depois torturar-se por não ter mais nenhuma lembrança do animal de estimação”, recomenda.

    Fonte: Fabiane Curvo de Faria, psicóloga PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), especialista em terapia cognitivo comportamental e membro do Employee Assistance Program; Daiane Daumichen, psicóloga especialista em gestão estratégica de pessoas pela FGV (Fundação Getúlio Vargas); Rochelle Aweida Veras, psicanalista clínica graduada pela FMU (Faculdades Metropolistanas Unidas) e especialista pelo CEP (Centro de Estudos Psicanalitícos).

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