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  • Rituais fúnebres: conheça a origem desta prática e qual a sua importância

    Entenda como funcionam os rituais fúnebres e como eles surgiram em nossa sociedade!

    Elementos presentes nos rituais fúnebres

    Muitas das práticas adotadas por nós no momento em que ocorre o falecimento de um ente querido são oriundas de tempos remotos. Por exemplo, os rituais fúnebres que conhecemos e praticamos são uma herança histórica de gerações anteriores às nossas.

    É importante ressaltar que os rituais fúnebres variam de acordo com a cultura, a religião e os costumes de cada grupo social, mas, no geral, eles possuem a mesma finalidade: realizar uma cerimônia de despedida para o seu ente querido.

    Os rituais fúnebres estão presentes em diversos lugares ao redor do mundo e possuem peculiaridades e especificidades próprias de acordo com o ambiente social em que estão inseridos. 

    No Brasil, embora existam diferentes manifestações religiosas e culturais, o ritual fúnebre mais popularizado é o velório, momento que antecede o sepultamento do corpo.

    No texto de hoje, elencamos algumas curiosidades acerca da origem dos rituais fúnebres e também discorremos a respeito da importância de realizar os rituais fúnebres no processo do luto. Confira e tenha uma excelente leitura!

    O que são os rituais fúnebres?

    Quando observamos a etimologia da palavra ritual, compreendemos o que significam os rituais fúnebres. A palavra, oriunda do latim ritualis, pode ser entendida como um conjunto de práticas que perpassam uma cerimônia. 

    Assim, de modo geral, os rituais fúnebres são uma cerimônia realizada na ocasião em que ocorre o falecimento de uma pessoa, com a finalidade de sepultá-la.

    Os rituais fúnebres são, em essência, uma despedida dos familiares, amigos e conhecidos do ente querido. 

    Dessa forma, eles simbolizam o epílogo de uma história vivida por todas as pessoas que fizeram parte do ciclo de amizades e afetos da pessoa falecida. 

    Por isso, em grande parte dos rituais fúnebres são feitos discursos, cerimônias religiosas, entre outras ações que simbolizam a despedida e também demonstram a importância do falecido para todos os presentes.

    Como surgiram os rituais fúnebres?

    Talvez você nunca tenha pensado sobre como surgiram os rituais fúnebres, afinal, nós tendemos a evitar pensamentos relacionados ao processo de morte. 

    Embora saibamos que este é um processo que segue o ciclo natural da vida, nunca estamos suficientemente prontos para lidar com a morte, evitando pensar sobre ela o máximo que podemos. 

    Entretanto, entender os rituais que realizamos quando as pessoas que amamos se vão pode ser uma ideia interessante, tendo em vista que esses rituais dizem muito sobre nós e sobre o apreço que nutrimos pelo ente querido. 

    Já que, os rituais fúnebres são, além de tudo, uma demonstração da importância que a pessoa falecida tinha na vida das pessoas que ficaram. 

    Como mencionamos anteriormente, os rituais fúnebres variam de acordo com aspectos importantes como a cultura, a região e os costumes de determinado povo. 

    Nesse sentido, ao observarmos os registros históricos, nos deparamos com diferentes rituais realizados ao longo da história. Os egípcios, por exemplo, costumavam mumificar os seus faraós para, posteriormente, os sepultarem em suntuosas pirâmides. 

    Os povos hebreus, por sua vez, construíam catacumbas nas paredes de espaços subterrâneos para sepultarem os seus mortos. 

    Este panorama histórico demonstra que os rituais fúnebres são realizados desde os tempos mais remotos, e os rituais que realizamos hoje remontam a estas primeiras cerimônias.

    Você tem dúvidas sobre o processo de cremação? Aproveite para ler o artigo a seguir: Como é a cremação ao redor do mundo?

    Quais os tipos de rituais fúnebres?

    Como já foi comentado, os rituais fúnebres variam de acordo com a cultura, a história e os costumes de um país. Para entender melhor sobre essas cerimônias, confira abaixo alguns dos rituais mais realizados no Brasil. 

    Velório

    O velório, uma das práticas mais comuns nos rituais fúnebres, surgiu na Idade Média. No período medieval, os utensílios domésticos, como os copos, por exemplo, contavam com o estanho em sua composição. 

    Assim, as pessoas costumavam ingerir bebidas alcoólicas nestes copos, o que acabou sendo uma prática nociva à sua saúde, pois a mistura entre o estanho contido no copo e o álcool ocasionava distúrbios que desencadeavam desmaios.

    Por isso, para que as pessoas não fossem dadas como mortas erroneamente e enterradas ainda vivas, quando uma pessoa desmaiava, seu corpo era apanhado e estendido sobre uma mesa. 

    Dessa forma, as famílias e pessoas próximas ficavam “velando” o corpo a fim de se certificar se ela estava verdadeiramente morta ou apenas desacordada em decorrência do desmaio. 

    O uso das velas no velório, elemento utilizado em boa parte dessas celebrações, também é uma herança do período medieval. 

    Como sabemos, nesta época não existia energia elétrica, por isso, a família da pessoa colocada à mesa segurava velas enquanto vigiavam o corpo, para observar atentamente o suposto falecido. O nome “velório”, inclusive, é oriundo das palavras “vela” e “velar”.

    Nos dias atuais, o velório já não tem mais o objetivo de identificar se uma pessoa está mesmo morta ou não, mas, em essência, ele ainda possui o mesmo significado de “guardar” o corpo de alguém. 

    Assim, os familiares e amigos do ente querido velam o corpo como uma forma de preparação para o sepultamento, prestando sua assistência e cuidados a ele.

    Sepultamento

    Antes de falarmos sobre a origem do sepultamento, é importante estabelecer uma diferença entre os atos de enterrar e de sepultar alguém. 

    Embora sejam atos semelhantes, há alguns detalhes que as diferem. Em linhas gerais, podemos dizer que o sepultamento ocorre quando o corpo é acomodado em uma sepultura, isto é, uma espécie de abrigo. 

    O enterro, por sua vez, ocorre quando o corpo é depositado em uma cova, ou seja, uma escavação feita na terra. Os registros históricos apontam que, até o século VIX, os sepultamentos aconteceram dentro das igrejas.

    Tendo em vista a forte cultura cristã predominante na europa medieval, as pessoas enxergavam o sepultamento na igreja como um privilégio, pois acreditavam que era honroso permanecer perto dos santos após partirem para o descanso eterno. No Brasil, este tipo de sepultamento durou até o limiar da década de 1920. 

    Com o advento da pandemia ocasionada pela peste bubônica, o número de óbitos aumentou exponencialmente, de modo que as igrejas já não comportavam toda a demanda de sepultamentos decorrentes da peste. Foi nesse contexto que surgiram os enterros.

    Leia também: Como enfrentar o luto em plena pandemia?

    Como surgiram os cemitérios?

    Cemitérios ao ar livre 

    Como vimos anteriormente, a prática de sepultar as pessoas falecidas não é contemporânea. 

    Já que, em diferentes épocas e civilizações, os sepultamentos foram realizados se adaptando à realidade, às crenças e às culturas dos povos ao redor do mundo.

    Contudo, podemos dizer que o marco do início dos cemitérios como conhecemos atualmente é o surgimento, na Inglaterra, de uma lei que estabelece que os sepultamentos devem ocorrer ao ar livre e longe das áreas urbanas. 

    Dessa forma, os antigos procedimentos realizados nos sepultamentos, como depositar o corpo nas igrejas ou em catacumbas entraram em desuso.

    Quando observamos a etimologia da palavra, percebemos que a palavra latina “coemiterium” significa “doce mansão”, ao passo que a palavra grega “kouméterion” quer dizer “eu durmo”. 

    Nesse sentido, a palavra cemitério remete a um lugar de descanso, um lugar onde as pessoas falecidas são alocadas. 

    Como são realizados os rituais fúnebres?

    Os rituais podem ser realizados de diferentes modos, levando em consideração elementos como a religião, a cultura e outras diretrizes que dizem respeito ao ente querido e à sua família. 

    É importante ressaltar que este é um momento muito importante e simbólico para os familiares e amigos da pessoa falecida, pois expressa fortemente suas crenças e convicções.

    A despeito das diferenças que podemos encontrar nos rituais fúnebres dependendo dos aspectos mencionados, é possível observar alguns elementos comuns a estes rituais, como o velório, do qual já falamos, a cerimônia fúnebre e o cortejo fúnebre, por exemplo. 

    Os rituais, na maioria das vezes, estruturam-se dessa forma, e cada uma das etapas possui grande importância para o processo como um todo.

    Cerimônia fúnebre

    A cerimônia fúnebre consiste na reunião das pessoas próximas ao ente querido para se despedirem do falecido, bem como olharem para ele uma última vez, tendo em vista que o caixão fica aberto e o rosto da pessoa falecida fica exposto para que seus familiares, amigos e conhecidos o vejam.

    Além de ser o momento de olhar para o ente querido pela última vez e prestar suas homenagens a ele, a cerimônia fúnebre também é importante para que as pessoas próximas à família possam prestar seu apoio e condolências. 

    É importante lembrar que a cerimônia fúnebre não é uma ocasião oportuna para que sejam feitos questionamentos ou expressar indignação. 

    Assim, é um momento de direcionar afeto e acolhimento aos familiares da pessoa falecida e também proferir palavras confortadoras. 

    Além disso, é uma oportunidade para falar coisas agradáveis a respeito da pessoa falecida, falar sobre como ela era inteligente, amável e querida, por exemplo. 

    Cortejo fúnebre

    O cortejo fúnebre é o deslocamento do local do velório até o local do sepultamento. É uma espécie de procissão em que os familiares e pessoas próximas ao ente querido acompanham o corpo até o local no qual ele será sepultado ou cremado. 

    É comum que este corteja seja feito a pé quando a distância a ser percorrida é curta. Entretanto, quando o deslocamento é longo, o cortejo é feito de carro. 

    Os carros seguem enfileirados e em baixa velocidade para demonstrar que acompanham o corpo de uma pessoa querida. 

    Qual o significado das coroas de flores?

    O ato de enviar coroas de flores para a pessoa falecida também é uma herança histórica. Anteriormente, os velórios costumavam ser realizados nas casas das famílias do ente querido.

    Dessa forma, as pessoas que compareciam no velório, como amigos e parentes, levavam flores para o falecido como um último ato de afeto e gentileza.

    Com o passar do tempo, os velórios começaram a ser realizados em espaços próprios para este tipo de evento. 

    Assim, devido a dificuldade que muitas pessoas encontravam para se deslocar até o local do velório, elas passaram a enviar as flores para a casa da família do ente querido.

    Além disso, fontes históricas dizem que, na Grécia e na Roma Antiga, os grandes guerreiros que representavam estas nações nas guerras eram homenageados com guirlandas de flores depositadas em seus caixões. 

    Nesse sentido, as coroas de flores simbolizam um último ato de carinho pelo ente querido, bem como representam a força e grandiosidade que a pessoa falecida demonstrou enquanto estava viva.

    Aproveite para ler também: Entre risos e lamentos: confira as melhores frases para a coroa de flores

    Por que a cor preta simboliza o luto?

    Pessoas vestidas de preto simbolizando o luto

    O uso da cor preta para representar o luto e a morte é oriundo do período medieval. No período gótico situado na Idade Média, a morte era enxergada como algo devastador, doloroso e obscuro. 

    Esta perspectiva adotada pela sociedade da época justifica-se pelo contexto no qual as pessoas estavam inseridas: um cenário de muitas doenças mortais e também marcado pelas torturas da Inquisição.

    Por ser uma cor escura, que naturalmente representa escuridão e trevas, a cor preta foi elegida para representar a dor do luto. 

    Em muitos lugares ao redor do mundo, a cor preta continua sendo o símbolo da morte. É comum utilizar roupas pretas ao frequentar velórios e sepultamentos. 

    Entretanto, curiosamente, em alguns países, o preto não é utilizado como a cor da morte. Em países como a China, a Índia e o Japão, por exemplo, a cor utilizada para simbolizar o luto é o branco. 

    A tonalidade clara e suave da cor branca corresponde à paz e à serenidade que a pessoa falecida experimenta quando morre, por isso, nessas culturas, o branco simboliza a morte.

    Por que os rituais fúnebres são importantes?

    Vivenciar o processo do luto é uma tarefa imensamente difícil para a maioria das pessoas. O luto representa a ruptura de um laço sólido com alguém, um laço que nós nunca desejamos romper. 

    No entanto, por mais doloroso que este processo seja, ele precisa ser vivenciado e os rituais fúnebres contribuem para que o luto seja vivido. 

    Dessa forma, os rituais fúnebres envolvem, como vimos ao longo deste artigo, memórias, homenagens e celebrações relacionadas ao ente querido. 

    Assim, eles são um momento de prestar os últimos atos de carinho e afeto pela pessoa falecida, além de oferecer a ela um desfecho honroso, belo e cheio de amor. 

    Além disso, estes rituais são muito importantes porque reúnem as pessoas enlutadas, as quais podem prestar solidariedade e consolo umas às outras.

    O falecimento de uma pessoa querida sempre é um acontecimento que fragiliza as pessoas próximas a ela. O sofrimento e a dor são inevitáveis. 

    Por isso, neste momento, é fundamental que haja uma rede de apoio acolhendo e dando suporte às pessoas em maior vulnerabilidade, como a família e os amigos mais próximos. 

    A não realização destes rituais pode ser muito prejudicial à saúde emocional das pessoas enlutadas e podem intensificar ainda mais a dor e o sofrimento provocados pelo luto. 

    É imprescindível que haja este ritual de despedida para que as pessoas que ficaram possam assimilar a perda sofrida e encararem o luto sob uma outra perspectiva. 

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