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  • O que é obituário? Faça um e evite o esquecimento

    Escrever é a melhor maneira de não esquecer. Isso também vale para aqueles que já se foram. Saiba o que é obituário e aprenda a criar memórias sobre os mortos.

    O obituário pode ser considerado uma homenagem póstuma, mas ele vai um pouco mais além por ser um texto que foi apropriado pelos jornais. Assim, saber o que é um obituário pode ajudar os nossos leitores a saberem como anunciar um óbito e também fazer uma homenagem para aquele que se foi!

    A partir do século XVII os obituários começaram a fazer parte do meio jornalístico. Foi depois de 1800, no entanto, que passaram a ter destaque, tornando-se um tipo de texto que ocupava uma seção específica na mídia impressa.

    Hoje, todos os grandes jornais reservam um espaço para o obituário, que pode ser um texto dedicado a uma homenagem, mas que também cumpre a função de tornar pública a informação de um óbito.

    Há diversos tipos de obituários, que dedicam-se a trazer informações sobre a vida de uma pessoa recém falecida, seja ela amplamente conhecida ou não. 

    Há ainda formatos de obituários que simplesmente listam as mortes recentes de uma determinada região ou comunidade

    Também existem outros mais elaborados, que desenvolvem a importância do falecido, por vezes até anos depois de sua morte, especialmente para celebridades ou figuras públicas.

    De uma maneira ou de outra, o obituário é um texto informativo sobre alguém que já se foi. 

    Acompanhe este artigo, descubra o que é obituário e aprenda diferentes maneiras de escrever para informar uma morte ou mesmo para homenagear um ente querido. Boa leitura!

    Definição de “obituário” pelo Dicio – dicionário online.

    Se você se interessa pelos assuntos em torno de celebridades, você também pode querer ler: Túmulos de famosos: confira os 15 mais visitados do Brasil.

    O que é um obituário?

    O obituário é um tipo de texto jornalístico que, hoje em dia, já não é exclusivo dos jornais. Ele pode estar presente em informativos institucionais – boletins de empresas, prefeituras, escolas etc -, em revistas digitais e em blogs dos mais diversos.

    Muitos desses meios de comunicação que não têm uma intenção jornalística podem apresentar a lista de recém falecidos, apenas a título de informação, expondo o nome, o local de nascimento e a data de falecimento das pessoas que morreram e que fazem parte daquela comunidade.

    Por exemplo, uma prefeitura pode apresentar um obituário em seu boletim semanal ou mensal, informando quais servidores públicos municipais vieram a óbito naquele período de tempo.

    Ou então, uma empresa pode fazer a mesma listagem, registrando os falecimentos e informando ao restante dos colaboradores quais funcionários encontraram a morte.

    Um obituário jornalístico é mais elaborado. Ele apresenta um texto trazendo informações sobre a vida da pessoa e alguns detalhes sobre a causa da morte

    Sempre em um tom respeitoso e honroso, esse tipo de obituário pode transformar-se em uma bonita homenagem pública.

    Por outro lado, como o obituário tem um objetivo informativo, é pouco provável que alguém muito famoso ou uma morte que teve grande destaque na mídia seja registrada em formato de obituário, isso porque, uma vez que grande parte das pessoas já sabem do ocorrido, a necessidade de informar o fato cai por terra.

    O obituário como homenagem

    Há a possibilidade de elaborar-se um obituário que se transforme em homenagem ao falecido. 

    Um texto, que tem como foco a importância de determinada pessoa para a sua comunidade, destaca os seus feitos em vida e momentos importantes de sua trajetória faz-se o primeiro passo do registro da memória daquela pessoa.

    Assim, um obituário tem o potencial de tornar-se uma avaliação da vida de uma pessoa e tem o poder de moldar a imagem que os leitores tinham a respeito do falecido.

    Foi nos EUA, no final do século XX, que os jornais começaram a fazer obituários para anunciar o falecimento de pessoas comuns

    A partir daí, o caráter de homenagem dos obituários ganhou forma, para além do objetivo de informar.

    Assim, escrever um obituário não é uma tarefa exclusiva dos jornalistas para preencher as páginas dos jornais. Pode-se escrever esse tipo de texto para anunciar a morte de alguém querido para o restante dos familiares mais distantes, por exemplo.

    Diante disso, apresentaremos as características desse texto e quais as técnicas necessárias para escrever um obituário, tornando-o uma opção para homenagear um falecido e anunciar um óbito para um público específico. Veja abaixo!

    Leia também: Como aceitar a morte?

    Como escrever um obituário?

    Para iniciar a escrita é preciso, primeiro, saber onde o texto será publicado, se em um blog pessoal, se no perfil do facebook, se o texto será destinado a um jornal – cumprindo um objetivo mais amplo – ou se será encaminhado por email, ou simplesmente enviado para o grupo da família do WhatsApp.

    Mesmo sendo um texto normalmente formal, saber em que lugar ele será compartilhado definirá o tom do texto, o grau de impessoalidade e a sua extensão.

    Também é necessário ter em mente quais informações são relevantes

    Assim, se o falecido esteve doente por meses e o público a que o texto está destinado já tinha esse conhecimento, é completamente desnecessário demorar-se explicando os detalhes da morte. 

    Agora, em caso de uma morte súbita, a qual ninguém esperava e ninguém ainda está sabendo, explicar o motivo da morte e suas circunstâncias será um dos tópicos principais do texto.

    De qualquer maneira, o obituário possui uma introdução, os parágrafos informativos e a conclusão, configurando-se em um texto curto e objetivo.

    Vejamos a seguir cada um dos parágrafos do obituário e quais informações selecionar para escrevê-los.

    A introdução 

    Este é o primeiro parágrafo do texto e ele apresenta as seguintes informações:

    • Nome do falecido;
    • Data de nascimento e data de óbito;
    • Informações da vida pessoal e profissional (o que fazia antes de falecer, com o que trabalhava, o que o inspirava, sua relação familiar, seus objetivos e projetos concluídos).

    Se o obituário tiver fins de homenagem, essa parte do texto poderá ser mais demorada, desdobrando-se em mais de um parágrafo, para salientar informações positivas sobre o falecido, desenvolvendo, principalmente o último item da lista acima,

    Por outro lado, se o texto for meramente informativo e impessoal, não há a necessidade de demorar-se muito neste tópico, de maneira que apresentar algumas poucas informações já basta, apenas com o intuito de situar o leitor a respeito de sobre quem o obituário trata.

    Para escrever um obituário é preciso encarar a morte, então pode ser de grande ajuda a leitura do artigo Medo da morte: conheça a sua construção histórica e saiba como superá-lo.

    O desenvolvimento

    Em dois ou três parágrafos, descreve-se a causa da morte e sua ocasião:

    • Data e hora da morte;
    • Local do óbito e descrição;
    • Causa da morte;
    • O laudo médico e as informações na declaração de óbito;
    • Uma narrativa sobre os últimos momentos da vida do falecido;
    • Quem viu a morte, como aconteceu, quem socorreu e como.

    Essas são algumas das informações pertinentes a se colocar na continuação do texto, em uma seção mais informativa e objetiva.

    A conclusão

    No último parágrafo é possível:

    • Descrever brevemente como foi o velório, se este já tiver ocorrido;
    • Convidar os leitores para o velório, passando informações sobre o evento;
    • Descrever brevemente como foi a missa do sétimo dia ou as cerimônias de homenagem que já ocorreram, como o culto fúnebre;
    • Convidar os leitores para as cerimônias de homenagens agendadas, passando as devidas informações;
    • Despedir-se do falecido;
    • Prestar condolências à família do falecido;
    • Despedir-se dos leitores (a depender do grau de intimidade).

    Esse é o momento do texto mais variável, porque as informações selecionadas para a conclusão vão depender muito do contexto de publicação do obituário, a quem ele se destina, quem o está escrevendo e a distância temporal do texto em relação ao dia do óbito.

    Exemplos de obituário

    Se você está procurando dicas de mensagens para prestar condolências no obituário ou mesmo para acolher alguém que está passando pela dor do luto, leia também: Palavras de conforto para encontrar a paz.

    Por isso, apresentaremos exemplos de obituários para que você, leitor, veja como funciona a estrutura textual que acabamos de elaborar. Veja abaixo!

    1. Informativo

    Usamos como referência o Jornal Brasil, que tem uma seção de obituário exclusiva para informar óbitos diariamente.

    “Morre Lúcia Leme, ex-apresentadora do Sem Censura, da TV Brasil

    Trajetória da jornalista na televisão foi marcada, especialmente, pela longa passagem como apresentadora do Sem censura, programa da TV Brasil que comandou entre 1986 e 1996.

    A jornalista Lúcia Leme morreu nesta segunda (8) vítima de um câncer no pulmão. Nessa terça (9), ela faria 83 anos.

    Em sua página no Facebook, os filhos da jornalista comunicaram a morte: “Devastados de tristeza, lamentamos informar que nossa mãe, Lúcia Leme, uma mulher extraordinária, profissional exemplar, mãe maravilhosa e avó muito amada, faleceu hoje vítima de câncer de pulmão. Partiu no Dia Internacional da Mulher. 

    Assinado: Fernanda Leme, Luciana Leme, João Henrique Leme e Renato Carvalho Leme Almeida.”

    1. Obituário de homenagem

    Para mostrar um exemplo de obituário com objetivo de homenagear e comunicar uma morte a um grupo restrito de pessoas, selecionamos o obituário a seguir, publicado pelo jornal Folha do Litoral, que presta homenagem a uma funcionária

    Observe que, uma vez que o público a quem o texto se destina conhece bem a pessoa homenageada, as informações apresentadas são menos detalhadas, dando maior foco para a homenagem:

    “Homenagem à revisora Edileusa Souza

    Publicado em 6 de junho de 2021 

    O domingo, dia 6 de junho de 2021, amanheceu mais triste. Ah, o domingo, esse que você tanto viu nascer. O dia de escutar o som da Marisa Monte, o dia de comemoração em família, de ler um bom livro, o dia do churrasco. 

    Em meio a tantos domingos, os ventos fortes e incertos dessa pandemia nos trouxeram uma dor irreparável e indescritível nesse dia.

    Quem imaginaria que num domingo de sol, onde a esperança reina com o astro rei, você nos deixaria? Suas marcas ficaram por toda parte. Na sua personalidade, na sua inteligência, nos seus ensinamentos, na sua personalidade, na sua inteligência, nos seus ensinamentos, na sua luta.

    Edi, como carinhosamente a chamamos, faltam palavras para falar de alguém que justamente amava as palavras. Foi a literatura, como você sempre disse, que a salvou. Foram suas correções que todos os dias chegaram como palavras certas a muitos leitores da Folha do Litoral News. Foi o seu ensinamento que chegou a muitos alunos durante a sua jornada.

    Hoje, nos despedimos de você, inconsolados, mas confiantes nos desígnios de Deus. 

    Só temos a agradecer e aprender ainda mais com tudo o que nos deixou de ensinamento. 

    “Vai sem direção, vai ser livre, a tristeza não, não resiste”. Que esse trecho da canção da Marisa Monte, a qual você tanto admirava, perpetue no coração dos que te amam. 

    Vá em paz aos braços do pai, Edileusa Gomes de Souza. Nossas condolências à família. 

    O nosso coração está em luto. 

    Dos amigos da Folha do Litoral News. 

    Obs: Sepultamento direto às 11h no Jardim”

    Pessoas lêem obituário informativo sobre Fidel Castro exposto nas ruas da Coreia do Norte.

    Curiosidade: obituário de pessoas vivas

    O assunto da morte é um grande negócio para os jornais, de maneira que existem jornalistas que são especificamente obituaristas.

    Jornais de referência, como o The New York Times, têm longa tradição no desenvolvimento desse tipo de texto informativo e há profissionais responsáveis por levantar dados de pessoas importantes e celebridades enquanto elas ainda estão vivas, sempre atualizando as informações coletadas, para se tornar mais fácil a elaboração do obituário no momento da morte.

    Por isso, pessoas públicas que vem a falecer subitamente, ainda que não façam parte dos assuntos cotidianos das manchetes, têm a morte noticiada rapidamente pela grande imprensa. 

    Afinal as informações necessárias para a redação da obituário já estavam todas organizadas, apenas aguardando o dia fatídico para serem publicadas depois de realizados os devidos ajustes a respeito do motivo do óbito.

    Um erro trágico

    Uma gafe em relação a isso ocorreu em 1818, quando os obituários ainda não eram tão sofisticados e a comunicação, toda baseada em textos impressos, não era tão ágil.

    Acontece que um jornal nos Estados Unidos que reunia um banco de dados para preparar o obituário de pessoas importantes antes delas morrerem publicou um obituário de um famoso caçador, o Daniel Boone.

    O único problema é que ele ainda estava vivo!

    A notícia causou grande comoção em toda a comunidade interessada e essa experiência serviu para que os jornalistas percebessem o grande potencial em se noticiar mortes de pessoas notáveis.

    Essas informações foram retiradas de um texto acadêmico, escrito por Ariel Engster, em 2014, em sua investigação a respeito dos obituários, como estudante de Biblioteconomia pela Universidade Federal do Rio Grande so Sul. 

    Fonte: ttps://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/111776/000952777.pdf?sequence=1

    Agora que você sabe para que serve um obituário, como escrever esse tipo de texto e quais erros não cometer, você está pronto para fazer uma linda homenagem para um ente querido, quando for necessário.

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