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  • Conheça as 5 fases do luto: da aceitação À superação da perda

    A morte de alguém muito querido pode parecer o fim de nossas próprias vidas, mas esse sentimento é apenas um reflexo das 5 fases do luto. Conheça cada etapa em direção à superação da perda.

    Encarando ou aceitando a realidade de nossa própria morte, poderemos alcançar a paz, tanto a paz interior como a paz entre as nações.

    Elisabeth Kubler-Ross, 1969.

    Estátua, anjo em luto: Angel ‘s grief.

    Você sabia que existem 5 fases do luto? Na realidade, essas são as etapas pelas quais o psicológico humano passa até alcançar, por fim, a aceitação da realidade e da perda.

    Quem introduziu esse estudo foi a psiquiatra Elisabeth Kubler-Ross, que se pôs a analisar as reações de pacientes diante da morte e da perda de alguém querido.

    Ela escreveu cinco livros sobre o assunto da morte a partir de uma perspectiva psicanalítica, publicados entre 1969 e 1998. 

    Assim, apesar de não haver heterogeneidade entre os pesquisadores, as suas definições acerca das cinco fases do luto são referência ainda hoje para aqueles que querem compreender e superar a dor da morte e seguir a vida.

    Foi em seu primeiro livro que ela descreveu o funcionamento das 5 fases do luto, a partir de um estudo empírico com pessoas reais. O seu objetivo era oferecer subsídios para profissionais da área lidarem com pacientes em situações limites.

    Além disso, Kubler-Ross também contribuiu para a desconstrução histórica da visão da morte enquanto um tabu, de maneira a delinear aspectos e meios de tratamento da tanatofobia.

    Diante disso tudo, vamos fazer um resumo sobre as pesquisas dessa incrível estudiosa que aventurou-se a investigar algo tão doloroso quanto a morte e o luto!

    Essas pesquisas possibilitaram que nós, no século XXI, tenhamos meios para viver com dignidade as cinco fases do luto e para superar com naturalidade a dor da perda.

    Para saber mais sobre os efeitos psicológicos da morte, leia também: Medo da morte: conheça a sua construção histórica e saiba como superá-lo.

    Quais são as motivações de Elisabeth Kubler-Ross para estudar o luto?

    O que levou Elisabeth Kubler-Ross a mergulhar nos efeitos psicológicos da morte foi a sua própria vivência. Ela esteve cercada pela morte e pela perda desde os primeiros anos da infância.

    Ela nasceu na Suíça, em 1926, em um parto de trigêmeos. O momento do nascimento foi muito complicado, ela pesava menos de um quilo e precisou lutar pela sobrevivência desde os primeiros segundos de nascida.

    Ela passou a infância e a adolescência vivenciando de perto os horrores da Segunda Guerra Mundial. Em tempo oportuno, ainda adolescente, trabalhou como voluntária na recuperação das vítimas da guerra.

    Essa escolha a fez aproximar-se da realidade dos campos de concentração, do infanicídio provocado pelo holocausto e da dor das vítimas daquela babárie. 

    Foi assim que Kubler-Ross enfiou-se de corpo e alma no espaço limite das pessoas que vivem entre a vida e a morte.

    Diante da realidade de pessoas em situações extremas, que tentavam sempre escapar da morte ou que tinham que lidar com a perda diariamente, a psiquiatra tornou os efeitos da morte o seu campo de estudos dentro da psiquiatria. 

    Foi assim que motivou-se a elaborar a descrição inédita e a inaugurar as definições hoje mundialmente conhecidas sobre as 5 fases do luto.

    Aqui vai uma dica de leitura importante: Como viver o luto: saiba lidar com o sentimento do sobrevivente.

    Psicóloga Elisabeth Kubler-Ross, 

    Qual a importância de conhecer as cinco fases do luto?

    A definição das cinco fases do luto não se limita a investigar como ocorre o sentimento de dor daqueles que vivenciam a perda de alguém próximo.

    Mais que isso, ampara também a superação de outras perdas. Isso porque o luto não condiz apenas com os desafios psicológicos pelos quais passam os sobreviventes, mas inclui ainda as perdas materiais e imateriais. 

    Tais como mudanças de fases na vida, fins de relacionamentos, perda de emprego, perda de bens materiais, entre outros. Enfim, o luto aparece em situações limites, em que uma pessoa vivencia separações em várias ordens.

    Além disso, os estudos de Kubler-Ross estipulam diretrizes para o acolhimento de pessoas que precisam encarar a própria morte quando diagnosticadas com doenças terminais.

    Nosso objetivo aqui não é explorar cada uma das situações de luto, mas sim oferecer informações para que nossos leitores entendam como funcionam as cinco fases do luto, de maneira geral. 

    Para, assim, desenvolverem o autoconhecimento necessário para superar a dor da perda, seja ela a morte de uma pessoa próxima ou o fim de algo que seja um objeto ou uma situação de apego.

    Encontre mais dicas de superação em: Conheça uma lista de músicas de luto que ajudam a superar a perda.

    Quais são as 5 fases do luto?

    Hoje, cerca de seis décadas depois da primeira publicação de Elisabeth Kubler-Ross, muito já se desenvolveu a respeito das cinco fases do luto nas áreas da psicologia, psiquiatria e psicanálise

    A aplicação dos conceitos estabelecidos pela especialista é feita de diversas maneiras e em diferentes situações entre os profissionais que trabalham com saúde mental e até mesmo religiosa. 

    Assim, as 5 fases do luto são apreendidas e adaptadas para diferentes situações, mas seguem sendo a base da abordagem utilizada por muitos profissionais. Não só isso, contribuem para que pessoas comuns possam lidar e compreender as próprias dores.

    Dessa forma, o delineamento básico do luto segue as seguintes etapas:

    1. Negação;
    2. Raiva;
    3. Barganha;
    4. Depressão;
    5. Aceitação.

    Vejamos, então, o que acontece em cada uma das 5 fases do luto, segundo os estudos de Kubler-Ross:

    As 5 fases do luto, por Tom Fishburne, Fonte: https://terapiasemmisterio.com.br/

    Fase 1: A negação da morte

    O luto inicia-se com a negação da morte. É a primeira reação de alguém em uma situação limite, que encara uma perda ou uma separação.

    É aquele momento em que olhamos para a fatalidade e afirmamos: “Isso não pode ser verdade!”.“Não é possível que ele faleceu”!

    É uma fase inicial, em que entender a realidade é custoso e doloroso, de maneira que buscamos alternativas para validar que aquele acontecimento não é verdadeiro.

    Especialistas definem a negação como uma defesa criada pelo psicológico humano para amenizar os impactos imediatos de uma notícia devastadora. 

    Segundo Elisabeth Kubler-Ross, em seu livro Sobre a morte e o morrer:

    “A negação funciona como um pára-choque depois de notícias inesperadas e chocantes, deixando que o paciente se recupere com o tempo.” Assim, é um sentimento natural e que deve ser respeitado.

    No entanto, em casos de mortes súbitas ou mortes acidentais pode haver uma insistência na negação

    Assim, essa fase pode se estender por um longo período, inviabilizando que a pessoa retome a normalidade em sua vida e devendo ser tratada.

    Isso pode tornar-se patológico. A dor só é vivenciada de maneira saudável quando o sobrevivente avança nas cinco etapas do luto até alcançar a aceitação da morte. 

    O que pode durar algumas horas ou pode estender-se por dias e meses, a depender do histórico de vida, da saúde mental e da gravidade da situação.

    Assim, é recomendável que alguém que custa a superar esta primeira fase do luto, insistindo na negação da fatalidade, busque acolhimento de um profissional.

    Artigo relacionado: Experiência de Quase Morte (EQM): quais são os impactos na vida de um sobrevivente?

    Fase 2: A raiva

    Assim que o enlutado consegue, enfim, superar a negação e apreender de fato o contexto da nova realidade ele fica submetido a acessos de raiva.

    Há um despertar de um sentimento de revolta com o mundo, com os outros e com si mesmo. Quando a negação é superada, o indivíduo se vê inconformado. Não consegue assimilar que ele esteja obrigado a vivenciar aquela fatalidade e nem viver sem aquela pessoa.

    Assim, a revolta, a raiva, o ressentimento e a inveja vêm à tona. A pessoa passa a desejar que aquela realidade seja de outra pessoa, passa a culpabilizar a si ou aos outros pela gravidade da situação. 

    Despeja raiva para todos os lados, queixa-se de tudo e de todos. As pessoas mais próximas não ficam fora disso e têm dificuldades para lidar corretamente com o enlutado, que pode vir a tornar-se ofensivo e agressivo.

    Kubler-Ross afirma: “Deve-se isso ao fato de esta raiva se propagar em todas as direções e projetar-se no ambiente, muitas vezes sem razão plausível.”

    Fase 3: A barganha

    Passados os acessos de raiva, o enlutado encontra-se em um estado emocional oposto àquele da primeira etapa.

    Encara que aquela nova realidade é irreversível e passa a tentar negociar o bem-estar, barganhando com os outros, com o divino e com si mesmo.

    É um momento de promessas. A pessoa revive o motivo da perda e promete a Deus ser uma pessoa melhor, promete a si evitar viver algo similar no futuro, cria metas para que seja possível desvencilhar-se da dor.

    A nossa psicóloga de referência compara essa terceira fase do luto com situações vividas nas relações que temos com nossos filhos. As crianças têm acessos de raiva quando se veem impedidas de realizar o que querem.

    Diante do “não”, batem os pés, reclamam, fazem ameaças. E, passada a raiva, elas retornam tentando fazer negociações, como: se eu respeitar essa regra eu posso fazer outra coisa que seja de minha vontade?

    A comparação feita por Kubler-Ross tem como objetivo analisar o viés psicológico da barganha

    O enlutado concebe que aquilo é verdade, percebe que sentir raiva e culpar os outros não resolve nada e passa a tentar barganhar com si mesmo, com as pessoas em sua volta e com o divino.

     Assim, são comuns nessa fase frases como: “eu nunca mais vou ser antipático”, “se eu superar essa fatalidade, prometo que vou ser uma pessoa mais saudável”, ou “se Deus me conceder o livramento, tornar-me-ei uma pessoa melhor”. 

    Essa é uma maneira de a pessoa procurar alternativas para abordar o problema.

    Fase 4: A depressão e o isolamento

    Nessa quarta fase o enlutado é tomado pela melancolia. Não vê saída da realidade, não quer incomodar ou ser um fardo para as outras pessoas e passa a se isolar.

    O momento de encarar a dor torna-se um peso para a continuidade da vida. A pessoa não consegue seguir adiante nem retomar a normalidade de suas atividades. 

    Assim, compromete as suas relações, os cuidados com a própria higiene, abre mão de atividades que lhe agradam e das tarefas mínimas para viver bem.

    Neste momento, pessoas próximas ao enlutado, assistentes sociais, psicólogos e até mesmo padres ou outras autoridades religiosas podem ter um papel extremamente importante para a superação da perda

    Kubler-Ross destaca que é importante “poder ajudar no sentido de proporcionar maior auxílio e apoio para que a paciente se sinta autoconfiante.” 

    Assim, muitas pessoas “podem auxiliar muito nesta fase ajudando na reorganização do lar. […] É impressionante como acaba rapidamente a depressão de um paciente quando problemas vitais são cuidados.”

    É nesta fase quatro que a ação dos parentes e amigos é crucial para o enlutado

    Já que, essas pessoas têm o poder de encorajar o enlutado em depressão, mostrando-as “o lado risonho da vida, as coisas positivas e coloridas que as circundam.” 

    A estudiosa afirma ainda que essa é uma atitude quase que natural: “Geralmente, isto é consequência de nossas próprias necessidades, de nossa incapacidade de suportar por muito tempo uma fisionomia amuada.”

    Conheça meios de acolher um enlutado por meio da leitura do artigo: Você sabe o que significa “meus pêsames”? Aprenda agora! 

    Fase 5: Finalmente, a aceitação da perda!

    Para chegar até aqui, o enlutado precisa passar por muitos desafios psicológicos. Raramente isso é possível sem o apoio familiar, de amigos ou sem o acolhimento de um profissional.

    A depender da gravidade da situação, o luto pode-se tornar uma patologia, o que é identificado logo na primeira fase. Mas, na grande maioria das vezes, o cuidado, a atenção, a escuta, enfim, a disponibilidade de um ombro amigo é suficiente para superar a dor do luto.

    Assim, as condições são favoráveis para se alcançar a fase final do luto. Aliás, a morte e o luto são aspectos naturais, intrínsecos à vida, por qual todos e todas terão de passar um dia. 

    Dessa maneira, ambos precisam ser encarados com naturalidade para que a aceitação da morte seja eficaz e para que o enlutado possa entender que o único caminho possível é seguir em frente, vivendo a própria vida com alegria.

    A quinta fase do luto, então, condiz com a etapa em que o sobrevivente já não mais se encontra em desespero, ele consegue olhar a nova realidade sem sofrer exacerbadamente. 

    É capaz de conversar sobre o assunto, de compartilhar os próprios sentimentos e tomar as rédeas de seu cotidiano. Dessa maneira ele consegue finalmente enfrentar a perda ou a morte, aceitando as condições do presente, do passado e do futuro como realmente são.

    Uma outra leitura que pode lhe interessar é o artigo 7 Coisas para fazer antes de morrer que você não deve deixar para trás.

    A efetivação das 5 fases do luto

    Elisabeth Kubler-Ross afirma que aquele que recebe a ajuda necessária e consegue superar as cinco fases do luto leva seu próprio tempo para alcançar a tranquilidade.

    Para alcançar a aceitação, a pessoa “terá podido externar seus sentimentos, sua inveja pelos vivos e sadios e sua raiva por aqueles que não são obrigados a enfrentar a morte tão cedo.”

    Todo esse movimento para galgar o caminho em direção à tranquilidade não pode ser confundido com a felicidade. Não é disso que se trata a superação do luto e a pessoa que visa um sentimento de felicidade diante da perda muito dificilmente terá êxito.

    O luto, na verdade, é uma maneira saudável de lidar com a tristeza. Segundo a autora, “é quase uma fuga de sentimentos. É como se a dor tivesse esvanecido e a luta tivesse cessado.”

    Não há, então, uma receita, um tempo determinado ou uma sequência exata para se lidar com os sentimentos do luto. As sensações podem ocorrer simultaneamente. 

    Mas todas essas etapas são cruciais para que possamos lidar com nossa própria dor e criar um autoconhecimento que nos torne capazes de compreender a nova realidade a fim de nos ajustarmos a ela.

    Saiba as qualidades das homenagens para lidar com a dor do luto: Homenagem póstuma: nunca é tarde demais para relembrar.

    Drible a própria dor e viva saudável!

    Finalizamos, assim, com uma palavra de conforto

    Resgate suas forças interiores, trabalhe sua autoestima e saiba que a morte está para todos, essa é uma maneira de lidar com o luto saudavelmente e permitir-se sentir tristeza sem que isso signifique prejudicar a própria vida!

    Esperamos que este conteúdo seja encorajador a todos e todas que precisam lidar com as dores de uma perda. 

    Por fim, dedicamos este artigo a todas as famílias e amigos que tiveram que lidar com a morte inesperada dos mais de 500 mil brasileiros que faleceram por covid-19 entre janeiro de 2020 e junho de 2021. 

    Vocês não estão sozinhos! Procurem conforto e, acima de tudo, cuidem-se de si mesmos!

    Quer saber mais? Confira o site da Fundação Elisabeth Kübler-Ross Brasil (ekrbrasil.com): “instituição responsável por difundir o seu legado e a sua mensagem ao redor do mundo”.

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