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  • Como ser doador de órgãos no Brasil: confira um passo a passo completo

    Uma das maneiras mais bonitas de tornar o mundo melhor é doando de si para o outro. Você, que deseja ajudar um parente, familiar ou pessoa distante, já sabe como ser doador de órgãos? Se ainda tem dúvidas, este artigo é para você.

    Poucos atos solidários são tão grandes quanto doar do próprio corpo para ajudar alguém. Nesses momentos, a decisão, por si só, já é difícil, e ainda pode surgir uma outra questão como impedimento: afinal de contas, como ser doador de órgãos?

    Todos os anos, muitas pessoas adoecem por mau funcionamento dos órgãos internos e entram na fila de espera do SUS para aguardar um novo transplante.

    Como a tecnologia ainda não evoluiu ao ponto de conseguirmos, com rapidez e facilidade, criar órgãos por meio de máquinas, é necessário que eles sejam doados pelas próprias pessoas para outras pessoas.

    Assim, a partir dessa constatação, busca-se conscientizar as famílias e os indivíduos sobre a importância da doação de órgãos, que é, efetivamente, um meio de salvar vidas e evitar óbitos.

    Benefícios Sociais INSS

    Se você está pensando em ser doador, mas ainda não sabe como doar, não se preocupe. Neste artigo, mostraremos tudo o que será preciso e ainda outras informações. Boa leitura!

    O que é a doação de órgãos?

    A doação de órgãos é um ato humanitário, sem fins lucrativos, que visa salvar a vida de uma pessoa, aquela que precisa de um transplante

    Para ocorrer uma doação, é necessário que haja um doador, pessoa da qual o órgão será retirado, e um receptor, a pessoa que irá receber o órgão doado.

    A doação é concluída por meio de um procedimento cirúrgico, realizado por médicos especializados.

    Qual a diferença entre implante e transplante?

    Para que não haja dúvida, vamos esclarecer ao leitor a diferença dessas duas palavrinhas muito parecidas, mas que possuem significados distintos.

    Implante é toda inserção de material artificial no corpo humano, geralmente por meio de cirurgia, como é o caso do implante de silicone.

    Transplante, por sua vez, é a inserção de material biológico no corpo humano, que vem de um doador e chega para um receptor, também realizado por cirurgias, como é o caso do transplante de órgãos.

    Qual a importância da doação de órgãos?

    Se já é difícil nos desapegarmos dos bens materiais, imagine em relação aos órgãos do nosso próprio corpo. 

    Certamente, não é uma decisão fácil, mas saber a importância deste ato de amor é o que pode incentivar possíveis e futuros doadores.

    Enquanto muitos de nós possuem uma boa saúde, outros tantos estão afastados dela. 

    E enquanto muitos caminham para onde querem, há pessoas que simplesmente não podem, pois estão presas a uma cama hospitalar, com a ajuda de máquinas para se manterem vivas. 

    Em casos mais graves, a morte do paciente que precisa de um transplante é dada como certa num curto período de tempo, caracterizando a doação como uma urgência para salvá-lo.

    É nesse momento difícil da vida de alguém que entra a importância do doador, pois é ele que vai ajudar o próximo a recuperar a saúde perdida, a sair da cama de hospital e a voltar à vida comum — aquela que todos queremos. 

    Por isso, a existência de doadores de órgãos é fundamental. São pessoas que fazem, para salvar vidas, o que nenhuma medicação ou equipamento poderia fazer. 

    Quem pode ser doador?

    Todas as pessoas saudáveis, maiores de 18 anos e juridicamente capazes, podem ser doadoras.

    Pela lei n° 9.434/1997, para o processo ser permitido, é preciso ter um receptor (quem vai receber o órgão) determinado, como um parente (até 4°grau) ou cônjuge. 

    Se não for caso de parentesco, é necessária uma autorização judicial para doar a outras pessoas.

    Além disso, é preciso verificar antes, através de uma bateria de exames, o órgão que será doado, para garantir que este esteja em boas condições.

    Se for um órgão cuja retirada cause mau funcionamento no organismo do indivíduo doador, a doação não poderá ser feita.

    Como é feita a doação pós-morte?

    Médicos retirando órgãos de um falecido

    O doador também pode ser alguém que faleceu, caso seus órgãos ainda estejam em bom funcionamento.

    Para que isso ocorra, deve ser constatada e declarada por meio de uma declaração de óbito uma parada cardiorrespiratória ou a morte encefálica do paciente, que, nesses casos, geralmente é vítima de um acidente vascular cerebral (AVC) ou de um traumatismo craniano, devido a outros acidentes graves.  

    Nos casos em que ocorre a morte encefálica, que é basicamente a falência irreversível do cérebro, os órgãos do corpo ainda podem continuar funcionando, com a ajuda de aparelhos, até que possa ser feita a sua retirada para doação.

    No entanto, é preciso enfatizar que, o doador estando morto, quem decide pela doação é a família, maior de idade, mais próxima do falecido. 

    Portanto, é necessário que, ainda em vida, a pessoa comunique à sua família sobre seu desejo de ser doador caso venha a falecer.

    Em muitos casos, perdem-se potenciais doadores, especificamente pela proibição familiar.

    Quem não pode ser doador?

    Não podem ser doadoras de órgãos as pessoas com os seguintes problemas:

    • Aquelas que sofrem de insuficiência orgânica, por exemplo: insuficiência cardíaca, renal, pancreática, medular ou hepática;
    • Aquelas que sofrem de infecções generalizadas;
    • As que sofrem de tumores malignos, com exceção para os chamados carcinoma basocelular, carcinoma do útero e tumor primitivo do sistema nervoso central
    • Pessoas portadoras de doenças degenerativas;
    • Pessoas com alguma doença que possa ser transmissível por meio de transplante.

    Também não podem ser doadores as pessoas que não tiverem a documentação exigida para essa ação.

    Como acontece a doação para os menores de 18 anos?

    Em relação aos menores de 18 anos que desejam ser doadores, há duas especificações na letra da lei.

    Lei N° 9.434, de 04 de fevereiro de 1997, artigo 9, parágrafo 6:

    O indivíduo juridicamente incapaz, com compatibilidade imunológica comprovada, poderá fazer doação nos casos de transplante de medula óssea, desde que haja consentimento de ambos os pais ou seus responsáveis legais e autorização judicial e o ato não oferecer risco para a sua saúde

    Lei Nº 10.211, de 23 de março de 2001, artigo 10, parágrafo 1:

    “Nos casos em que o receptor seja juridicamente incapaz ou cujas condições de saúde impeçam ou comprometam a manifestação válida da sua vontade, o consentimento de que trata este artigo será dado por um de seus pais ou responsáveis legais.”

    Quais órgãos podem ser doados?

    O doador estando vivo, podem ser doados órgãos que têm duplo (duas unidades) dentro de nós ou aqueles que, depois de um tempo, se regeneram.

    No caso dos órgãos duplos, apenas um pode ser doado, pois a doação de duas unidades causaria mau funcionamento no organismo do doador, que, mais tarde, adoeceria e viria, provavelmente, a falecer.

    Os órgãos duplos presentes na doação são:

    • Os rins, cuja principal função é regular o volume de água no corpo, filtrar o sangue e eliminar impurezas, produzindo a urina (e como se disse antes, apenas um pode ser doado);
    • Os pulmões, essenciais para o processo de respiração e produção de energia no organismo humano (apenas uma parte de um dos pulmões pode ser doada).

    Em relação àqueles órgãos que se regeneram e podem ser doados, são eles:

    • A medula óssea, chamada de órgão hematopoiético, responsável pela produção de células sanguíneas (hemácias, leucócitos e megacariócitos, que formam plaquetas);
    • O fígado, responsável pela digestão de gorduras, produção de certas proteínas, armazenamento e liberação de glicose etc. (uma boa parte do fígado pode ser doada, pois o restante irá se regenerar quase que totalmente).
    • O pâncreas, cuja função principal é a produção de enzimas e hormônios (diferente do fígado, o pâncreas regenera apenas algumas células, portanto, sua doação acontece mais raramente).
    • Também mais raramente, ocorre a doação de parte do intestino delgado.

    Mas, no caso da doação pós-morte, podem ser doados os órgãos inteiros, assim como todas as suas unidades: rins, pulmões, fígado, pâncreas, intestino, medula óssea e coração, assim como tecidos corporais.

    Quais tecidos corporais também pode ser doados?

    Além dos órgãos, também podem ser doados tecidos humanos, como:

    • Pele;
    • Ossos;
    • Córneas;
    • Cartilagem;
    • Tendão;
    • Valvas.

    Ossos e outros tecidos somente podem ser retirados após a morte, pois sua falta prejudicaria o indivíduo vivo. A córnea, por exemplo, é essencial para a visão e sem ela, ficaríamos cegos. 

    A retirada deve ser realizada no máximo dois dias após o óbito, evitando assim a decomposição dos tecidos.

    Se eu doar em vida, posso ter problemas de saúde depois?

    É perfeitamente possível, após uma doação de órgão, ter uma vida normal e saudável. O que provavelmente irá acontecer é uma recomendação médica, caso a caso, de certas dietas e outras indicações. 

    Por exemplo, caso seja doado um rim, o médico pode recomendar, depois do procedimento, que a pessoa passe a ingerir mais água diariamente, assim como evitar muito sal nas comidas.

    Entre essas recomendações, também pode constar o afastamento de atividades mais duras e/ou perigosas para o corpo.

    Em geral, a indicação é se cuidar mais e levar a vida mais saudável possível — o que vale para todas as pessoas, não só para doadores. 

    A pessoa falecida é deformada pela retirada dos órgãos e tecidos?

    Não existe alteração evidente na aparência do morto após a retirada dos órgãos e tecidos — coisa que talvez pudesse preocupar muitas famílias de doadores falecidos.

    Após a cirurgia de retirada, o corpo é recomposto com algumas próteses e outros materiais, sendo depois devidamente fechado e preparado para o velamento com as técnicas de necromaquiagem, não aparentando mudanças em seu aspecto.

    Como ser doador de órgãos?

    Finalmente, vejamos quais passos são necessários para realizar uma doação, tanto em vida como na morte. Confira abaixo!

    O passo a passo do transplante pós-morte

    Existe um caminho que pode ser demarcado até que se finalize o processo do transplante pós-morte do doador. A seguir, anotamos os passos desse processo:

    1.       Primeiro, há o diagnóstico de morte encefálica (ME);

    2.  Em seguida, a família do falecido é avisada e, para autorizar a retirada dos órgãos, precisa assinar um termo, com testemunhas;

    3.       Depois, é feita uma entrevista com a família para investigar o histórico de doenças clínicas;

    4.       Após a entrevista e não constatação de doenças, é feita a cirurgia para retirada dos órgãos, que devem ser refrigerados e levados para a central de notificação até que seja definido o receptor ideal.

    5.       Identificado o melhor receptor, ele dá início ao processo pré-operatório, e o órgão é levado para o hospital onde está;

    6.       Por último, já finalizado o transplante, é aplicada uma medicação para evitar rejeição do corpo do paciente receptor.

    O passo a passo para o doador vivo

    Se uma pessoa deseja doar em vida, deve atentar para os seguintes passos:

    1. Ter um parente ou familiar que esteja precisando de um transplante, e, se não for o caso, ter autorização judicial para doar a outras pessoas;
    2. Deve ir ao hospital onde está internado o parente ou familiar, conversar com o médico sobre o desejo da doação, e realizar todos os exames pedidos;
    3. Caso seja comprovada a compatibilidade sanguínea entre doador e receptor, assim como verificadas a falta de doenças transmissíveis ou impossibilitantes da doação, será agendada uma consulta com um(a) psicólogo(a), para ver se o desejo do doador é realmente genuíno ou se ele deseja a doação por motivo de pressão familiar, dívida ou coisa semelhante;
    4. Após os procedimentos anteriores, é marcada a data da cirurgia para retirada do órgão determinado;
    5. Após feita a cirurgia e o transplante, é aplicada medicação para evitar a rejeição do corpo ao órgão implantado.
    6. Depois de alguns dias de recuperação na cama hospitalar, geralmente não mais do que três, o doador é liberado com recomendações. 

    Importante dizer que o doador pode desistir do procedimento a qualquer momento, antes de realizada a cirurgia.

    A doação de órgãos durante a pandemia

    Pandemia do novo coronavírus e a doação de órgãos 

    Infelizmente, a pandemia de Covid-19 também impactou negativamente na quantidade de doações realizadas, nestes anos de 2020 e 2021. 

    Segundo o vice-presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o Dr. Gustavo Fernandes Ferreira, os hospitais que necessitaram dar pleno suporte ao tratamento de pacientes com Covid-19 tiveram que suspender suas atividades relacionadas ao transplante de órgãos. 

    Já os hospitais que continuaram realizando transplantes, o fizeram de forma reduzida.

    De acordo com Ferreira, em entrevista ao Canal Saúde, a queda nas doações foi bem perceptível a partir do dia 15 de março de 2020, e os transplantes de tecidos foram, e estão sendo, os mais retardados pela pandemia, pois não são tão urgentes quanto os transplantes de órgãos.

    No momento atual, os falecidos diagnosticados com Covid-19 são contraindicados para doação, mesmo que seus órgãos estejam em bom estado e a boa ação seja o desejo da família. 

    Nos hospitais, são realizados testes para verificar se há a presença do coronavírus, tanto nos doadores como nos receptores, visando garantir a segurança do procedimento. 

    Quanto ao distanciamento, toda consulta, entrevista ou exame que não exige presença, é feito virtualmente.

    Gostou deste artigo e deseja saber mais sobre procedimentos pós-morte, além da já citada retirada de órgãos? Acesse o nosso blog e tire todas as suas dúvidas!

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