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  • Tanatofobia: quem tem medo da morte?

    “Viva como se não houvesse amanhã” é uma frase que faz os tanatofóbicos não quererem mais sair de casa. Conheça o que é tanatofobia e como essa doença prejudica o cotidiano e até mesmo as relações familiares de quem sofre com ela!

    Olhos com medo, sombra.

    Todo mundo tenta, à sua maneira, driblar a morte, mas quem tem tanatofobia leva a longevidade às últimas consequências. Há, inclusive, tanatofóbicos que deixam de viver para evitar morrer ou para não correr o risco de ter que lidar com a morte de alguém.

    Por outro lado, o medo da morte é um mecanismo biológico que visa a proteção e a segurança das pessoas, diminuindo as situações de risco e as possibilidades de ferimentos. 

    Assim, é um dos grandes responsáveis por preservar a espécie humana até agora, um dos protetores da humanidade mais antigos e mais eficazes.

    Por isso, o corpo já tem sua maneira de reagir a uma situação de risco, produzindo substâncias químicas de ansiedade para avisar o cérebro que é necessário agir: correr, gritar, fugir, revidar, proteger algum membro do corpo, produzir anticorpos. Enfim… uma infinidade de recursos bioquímicos que garantem viver um pouquinho mais.

    No entanto, quando esses gatilhos que ativam a ansiedade protetiva diante da morte se multiplicam e abrangem questões sociais e culturais para além de biológicas, esse medo extrapola o mecanismo natural do corpo humano, tornando-se um medo excessivo da morte, ou seja, maior do que o necessário. 

    Apresenta-se, então, a tanatofobia. Entenda o que é esse medo patológico, como ele se instalou na sociedade contemporânea e quais os meios para tratar a doença.

    Para superar um medo é preciso enfrentá-lo, isso não seria diferente com a tanatofobia. Encare seu medo com uma lista de músicas de luto que ajudam a superar a perda.

    O que é tanatofobia?

    Tanatofobia ou necrofobia é uma doença psicológica ainda pouco explorada, apesar de estar presente em nossa sociedade há muito tempo e ser cada vez mais debatida.

    Consiste no estresse intenso diante da ideia da morte, seja uma fatalidade com alguém próximo, uma representação da morte em um filme, a menção em uma conversa ou em uma música, ou ainda uma situação que coloque a vida do tanatofóbico em risco real.

    Qualquer uma dessas situações levam a pessoa com tanatofobia a entrar em crise. Acontece que o medo excessivo da morte está presente e manifesta-se em cada sujeito de uma forma diferente, o que torna difícil perceber, categorizar e encontrar soluções coletivas para a tanatofobia.

    Há diversos fatores históricos que levaram essa doença a ser uma realidade na vida de muitos, vamos a eles para entendermos como a tanatofobia, ao lado do luto patológico, se instalou em nossa sociedade. Confira abaixo:

    Saiba mais sobre o luto no artigo: Quais são as 5 fases do luto?

    1. A ciência da longevidade

    Antes do aprimoramento das Ciências Médicas, a morte era muito mais comum, fosse entre crianças, jovens, adultos ou idosos. Aliás, para ser idoso bastava passar dos 30 anos, pois a expectativa de vida era de 40. 

    Assim, a ideia da morte era cotidiana, as pessoas lidavam com isso em seus lares todos os dias, não havia a noção de direito humano à vida, e morrer era, muitas vezes, uma honra e uma forma de deixar uma mensagem.

    Apenas após o desenvolvimento das tecnologias na área da medicina, o que marcou a passagem para a modernidade, a humanidade passou a ver a morte de uma outra maneira. Criou-se um apego pela vida, uma necessidade de viver mais e aumentar a longevidade.

    Cada sujeito começou-se a prezar mais pela própria saúde, pois uma das grandes mudanças foi o desenvolvimento de métodos e conhecimentos sobre os microrganismos patogênicos e os diagnósticos das doenças transmissíveis. 

    Isso afetou as medidas sanitárias, de uma maneira geral — limpeza das vias públicas, cuidados com os procedimentos de sepultamento, hábitos de higiene pessoal, práticas de higiene no trabalho —, controlando a transmissão de doenças.

    Os diagnósticos corretos permitiram a aplicação de tratamentos, que levou ao aprimoramento dos remédios, resultando em menos mortes por doenças. 

    Isso revolucionou também o viés cultural da morte: se antes, morrer era algo natural e cotidiano, agora morrer era um sinal de fraqueza, de pobreza, algo a ser evitado.

    Essa nova interpretação da morte é um dos fatores históricos que impulsionaram a tanatofobia. 

    Foi o primeiro passo em direção à negação da morte biológica, à rejeição do ciclo natural da vida, que fazem com que a  morte seja, para muitos,  excessivamente estressante e indevidamente indesejável.

    2. Juventude e beleza

    A negação da morte também veio acompanhada do culto à juventude. Isso foi muito representativo a partir do século XIX, em que não somente a saúde era um motivo de preocupação, mas a manutenção da juventude e a luta contra a velhice ganharam um espaço que se alarga ano após ano ainda atualmente.

    A obra O retrato de Dorian Gray, escrito por Oscar Wilde em 1890, é um grande exemplo desse movimento histórico-cultural. Dorian Gray, ao querer nunca envelhecer, abriu mão do curso natural do envelhecimento e, consequentemente, desafiou a morte. 

    Esse grande romance literário é o retrato de uma sociedade tanatofóbica, que para esquivar da morte e manter juventude e beleza eternas é capaz de forçar a vida até as últimas consequências.

    Freud explica! Confira informações sobre os efeitos psicológicos da morte: Você sabe o que significa sonhar com velório? Descubra agora!

    3. Valorização da vida no pós-guerra

    As duas grandes guerras que assolaram o mundo e os conflitos que repercutiram ao redor delas fizeram com que populações do Oriente ao Ocidente desenvolvessem traumas da morte e também de conflitos.

    As violências desmedidas trouxeram um medo da morte diferente daquele criado pela consciência da existência das doenças. 

    Dessa forma, morrer não era mais um ato invisível, passou-se a personifica-lá e as autoridades, com o fim da Segunda Guerra, precisaram criar medidas de valorização da vida, para que cenários bélicos generalizados nunca mais se instalassem.

    Atualmente, o direito à vida humana é uma realidade, mas, em âmbito cultural e social, isso não significa somente evitar conflitos e fazer valer punições para quem infringe os direitos humanos. 

    A valorização da vida em detrimento da violência de governos fascistas também contribuiu para o medo da morte. Não morrer de jeito nenhum passa a ser um dos princípios silenciosos da humanidade.

    Aprenda a se despedir com a leitura: Oração pelos falecidos: peça aos céus por uma passagem tranquila.

    4. O temor a Deus

    Temer a Deus, um dos grandes valores católicos, também é um dos propulsores da tanatofobia. 

    Já que, somada a todo o cenário da negação da morte descrito nos itens anteriores, a religião cristã tem seu papel crucial no desenvolvimento da ideia de que morrer pode ser uma péssima experiência.

    Conheça mais sobre a cultura da morte em nossa sociedade. Leia também: O que é inumação e como ela funciona?

    A pandemia e a tanatofobia

    A partir de 2020, temer a morte passou a ser uma realidade no mundo inteiro. A morte iminente hoje está relacionada ao contato social e à infecção pelo coronavírus que se dispersa pelo ar.

    Dica de leitura. Está em busca de conforto pela perda de alguém querido? Podemos lhe ajudar: Palavras de conforto para encontrar a paz.

    Em um ano, somam-se mais de 4,3 milhões de mortes no mundo todo e esse número sobe todos os dias. Isso causou graves efeitos psicológicos negativos nas populações. Apesar de não haver um estudo que evidencie isso, os efeitos da tanatofobia alcançam cada vez mais pessoas, tornando o papel dos psicólogos e psiquiatras ainda mais importante.

    Isso porque, a tanatofobia em tempos de pandemia viral interfere diretamente nas interações interpessoais, de maneira que o convívio social tornou-se um problema.

    Imagem dos equipamentos de proteção ao coronavírus é uma representação do atual medo da morte.

    Quais são os sintomas?

    Procurar um especialista em saúde mental nunca é uma má ideia, e essa busca tem-se tornado cada vez maior. 

    Psicólogos e psiquiatras estão em constante aprimoramento para compreender, a partir de terapias cognitivo-comportamentais, como a tanatofobia modifica a vida das pessoas e atrapalha seu dia a dia.

    Essa doença está associada a um estresse exacerbado diante de qualquer menção à morte. Alguns dos sintomas que devem ser observados são:

    • Calafrios;
    • Sudorese;
    • Boca seca;
    • Taquicardia;
    • Palpitações;
    • Dor de estômago;
    • Náuseas e vômitos;
    • Tremores nas mãos;
    • Sensação de asfixia;
    • Ansiedade persistente;
    • Crises depressivas;
    • Alterações de humor;
    • Perda de sensibilidade;
    • Ataque de raiva;
    • Incapacidade de distinguir realidade e ficção;
    • Pensamentos violentos.

    Se você se identifica com algum desses sintomas, vale consultar um especialista para compreender se você sofre de tanatofobia e encontrar a melhor forma de tratamento para o seu contexto de vida!

    Por que o tratamento é importante?

    Um acompanhamento psicológico é importante em casos de tanatofobia porque precisamos urgentemente reaprender a lidar com a morte. A naturalidade do ciclo da vida precisa ser aceita pela sociedade. 

    Claro que podemos e devemos fazer uso dos aprimoramentos das ciências médicas para erradicar e prevenir doença, aproveitar os produtos farmacêuticos e de cosméticos para aumentar a longevidade e postergar a terceira idade. No entanto, o pânico diante da morte precisa ser superado.

    Devemos acolher a vida tal como ela é: incerta e efêmera.

    Assim, abordagens que lidam com a tanatofobia e com o luto patológico, como a musicoterapia e a terapia cognitivo-comportamental, são peças chaves para uma sociedade mais saudável. 

    Pois, possibilitam uma visão mais ampla e consciente da vida, abrindo espaço para o reconhecimento de que a morte é natural e deve ser compreendida como algo inescapável.

    Leia também: A face saudosa da morte: ouça músicas de luto para aliviar a dor.

    Como evitar a tanatofobia?

    Uma maneira de frear o avanço dessa doença não está só em curar aqueles que já foram afetados por ela, precisamos também prevenir novos adoecidos. 

    Assim, para evitar que gerações futuras sofram com a tanatofobia precisamos educar nossas crianças de maneira a compreender o ciclo natural da vida desde muito cedo.

    Usando um vocabulário adequado podemos mostrar que a morte está presente, para que essa criança esteja preparada no momento de enfrentá-la. Frases como “vovô virou estrelinha” não contribuem para isso.

    Fantasiar ainda mais a morte não é a melhor maneira de se esquivar da tanatofobia, pois essa criança cresce com uma visão irreal e terá que aprender a verdade da maneira mais difícil: vivenciando a morte.

    Diante disso, é extremamente importante que situemos nossas crianças com base na sinceridade. 

    Usemos os conhecimentos vastos das ciências biológicas para isso e sejamos parte desse aprendizado que resultará em adultos conscientes da finitude da vida, o que, segundo os especialistas, é a chave para a cura da tanatofobia.

    Por último, mas não menos importante, a dificuldade de encarar a morte nos sequestra os bons momentos de lembranças, confira dicas para uma memória menos dolorosa: Um mar de recordações: o que fazer com os pertences do ente querido?

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