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Musicoterapia: como essa terapia ajuda no combate à dor?

Todos reconhecemos que a música tem o poder de alterar o nosso estado de humor. Essa característica somada a estratégias terapêuticas pode beneficiar os enlutados. Confira como agora!

Harmonia, natureza, música.

Quando as cinco fases do luto não seguem o seu curso natural e o estado emocional do enlutado torna-se patológico, recomenda-se que se procure um profissional da saúde para orientar no tratamento da doença. Recentemente, tem-se aplicado estratégias da musicoterapia para amenizar o sofrimento de quem perdeu um ente querido.

Já que, pessoas com luto patológico apresentam sinais de ansiedade, depressão, raiva, irritabilidade, insônia, estresse pós-traumático, transtorno obsessivo-compulsivo. 

E esses comportamentos fazem com que haja consequências em várias esferas da vida, tanto no âmbito familiar quanto profissional.

A principal vítima desse processo é o próprio enlutado, que não consegue aceitar a nova realidade, deixando de manter as tarefas cotidianas e abrindo mão dos planos para o futuro.

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A musicoterapia pode trazer um grande benefício em casos como esses, contribuindo para que o enlutado consiga lidar com os processos do luto, de maneira a reconhecer a perda, adaptar-se ao ambiente sem a pessoa falecida e dar continuidade à vida que ainda tem pela frente.

Assim, veremos o que é a musicoterapia e porque ela é indicada para tratamentos do luto patológico.

Conheça outras reações da morte na mente humana, leia também: Você sabe o que significa sonhar com velório? Descubra agora! 

Música como remédio, pílulas de música.

O que é a musicoterapia?

A musicoterapia é uma área de atuação nova dentro da psicologia, que encontrou espaço entre as ciências médicas a partir do momento em que cientistas e pesquisadores passaram a adotar a perspectiva de análise sistêmica.

Antes, a ciência era vista como algo estável, baseada em resultados objetivos e dados facilmente descritíveis. No entanto, a ideia desse sistema traz uma nova abordagem para as ciências, permitindo lidar com situações complexas, instáveis e intersubjetivas.

A partir disso, a psicologia encontrou meios de aliar os milenares rituais musicais de cura com as técnicas terapêuticas

Assim, os musicoterapeutas fazem uso dos novos paradigmas científicos para encontrar soluções para os problemas psicológicos e emocionais considerando o ser humano um sistema integrado de fatores biológicos, psicológicos e sociológicos.

Quando falamos em musicoterapia, então, estamos lidando com tudo aquilo que define a identidade do paciente. 

De maneira a explorar os efeitos da música nos sistemas biológico-sensoriais, as reações psicológicas do paciente ao acionar seus sentidos por meio da música e a representatividade que a música engendra no paciente enquanto sujeito social.

Por isso, a musicoterapia, seja individual ou em grupo, tem mostrado bons resultados na redução dos quadros dos pacientes que buscam apoio psicológico. É uma terapia multidisciplinar, que considera o paciente como um todo, em seu contexto de vida e em sua essência.

Apresenta uma alternativa terapêutica pouco invasiva e muito eficaz, em um terapia adaptada para enquadrar-se às necessidades dos homens e das mulheres do século XXI.

Como a musicoterapia ajuda no combate à dor do luto?

Para entender como os especialistas encontraram uma solução para a dor do luto na atualidade através da musicoterapia, precisamos entender o que significa a morte nos dias de hoje. 

Faremos, então, uma pequena incursão histórica, para compreender como se dá o luto patológico e como a terapia desenvolve estratégias de tratamento desse mal por meio da música. Confira abaixo!

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O luto patológico na era da ciência e da tecnologia

Antes da modernidade, a morte era vista como algo natural, menos pessoas nasciam, mais pessoas morriam e as mortes precoces eram muito comuns. Com o desenvolvimento das tecnologias e das ciências médicas, passou-se a conhecer o motivo das mortes e a desenvolver-se soluções para o combate de doenças e para aumentar a longevidade da população.

A modernidade foi marcada, então, por uma explosão populacional e pelo medo da morte. A cada década, as pessoas almejam mais e mais uma vida longa, de maneira que morrer passou a ser considerado uma fraqueza, algo intensamente indesejado, apesar de inescapável.

Os efeitos psicológicos da morte são muitos, mas você sabe os efeitos da quase morte? Confira: Experiência de Quase Morte (EQM): quais são os impactos na vida de um sobrevivente?

Vida longa a todos: driblando a finitude 

Nas palavras da psicóloga Helida Mara Valgas:

“[…] negamos a realidade da morte de modo que vivemos como se ela não existisse, tecemos planos na busca de sonhos de vida, como se fôssemos imortais. Assim, a morte, desprovida de seu caráter natural enquanto parte do ciclo vital, é execrada e banida do cotidiano enquanto, paradoxalmente, grita escancarada nos meios de comunicação. Distante, ilusoriamente inexistente para alguns, a morte segue paralelamente à vida de todo ser humano até que, por fim, o encontra; primeiro por meio da morte do outro. Destarte, muitas vezes, com a perda de um ente querido, ela se aproxima causando um impacto significativo sobre a vida dos sobreviventes.”

Diante dessas belas e precisas palavras, podemos perceber que houve um distanciamento do ser humano diante do ciclo natural, o que leva a uma incompreensão da morte e uma incapacidade de viver o luto em sua normalidade

O desespero diante do falecimento de uma pessoa querida ultrapassa os limites da saúde mental, de maneira que, cada vez mais, as pessoas — totalmente imersas em um mundo de tecnologias automatizadas e artificialidades — precisam de ajuda profissional para encarar a morte como algo natural e conseguir retomar o controle de duas próprias vidas.

Daí se dá o luto patológico.

Está em busca de acolher um enlutado? Confira algumas dicas: Palavras de conforto para encontrar a paz.

Instrumentos musicais, sala de terapia alternativa.

A musicoterapia na superação do luto

Nem sempre as terapias tradicionais são as mais apropriadas para lidar com um momento tão delicado quanto o luto. 

Aquela sala neutra com o divã, em que o paciente deita e abre o seu coração para avaliação psicológica e comportamental talvez não seja a situação indicada para quem sofre de depressão pela morte de alguém.

Não há dúvidas de que o profissional da saúde sabe como intervir para fazer com que o enlutado encare sua realidade e compreenda a morte como ela é. Acontece que esse ambiente da terapia clássica pode acabar despertando mais melancolia.

Verbalizar em palavras não é a única maneira que se tem para externalizar sentimentos, algo essencial quando falamos de luto, uma vez que o isolamento e a solidão são grandes motivadores do luto patológico.

Assim, a musicoterapia é um espaço terapêutico que envolve linguagens outras, aciona sentidos que estão além da representação verbal e permite a materialização dos sentimentos através do movimento corporal. 

Cada sujeito identifica-se com músicas e estilos diferentes. Os efeitos biológicos das vibrações da melodia e as emoções que as mensagens das canções despertam são diversos.

O luto não é o único fenômeno que pode ser patológico diante da morte, saiba mais: O que é tanatofobia e quais são os sintomas dessa doença?

As variáveis do luto

Outrossim, o luto apresenta muitas variáveis que podem afetar o processo de superação da perda: 

  • a identidade e a função social da pessoa falecida; 
  • a idade e o gênero do indivíduo enlutado; 
  • as causas e as circunstâncias da perda; 
  • o contexto social e psicológico do enlutado durante e após a perda;
  • a personalidade do enlutado e sua capacidade de enfrentar situações estressantes. 

E a musicoterapia permite lidar com todas essas variáveis, por ser ela mesma uma técnica maleável, que se adapta facilmente às necessidades do paciente. Na verdade, a musicoterapia, assim como a música, cria seus sentidos a partir da percepção e da reação do paciente.

Leia também: Conheça uma lista de músicas de luto que ajudam a superar a perda.

Como funciona a musicoterapia para um enlutado?

A ideia básica da musicoterapia é que a música, assim como a morte, é inerente ao ser humano.

Por isso, a possibilidade de um enlutado se envolver com a terapia sob a mediação da música é muito maior que se submetido a terapias tradicionais, pelo simples fato de que a música estimula sensações em todos nós.

Dessa forma, os musicoterapeutas fazem uso de um amplo repertório de tipos musicais, a fim de proporcionar aos enlutados experiências e sensações diversas, explorando movimentos, sentidos e emoções. Abrindo um espaço de desafogo emocional.

Dar sentido para as palavras é complicado, mas descomplicamos para você! Dá uma olhada neste artigo: Você sabe o que significa “meus pêsames”? Aprenda agora!

Um tipo de sessão de musicoterapia, explorando os sons.

O que dizem os especialistas?

Não apenas o paciente tem uma ótima ferramenta de autoconhecimento através da música, mas também o terapeuta consegue captar a partir dos comportamentos do enlutado diante das experiências sonoras, a sua identidade e sua história de vida. A musicoterapia pode revelar informações que o paciente nunca seria capaz de exteriorizar verbalmente.

A musicoterapia bem estruturada para suprir as lacunas do cliente vai muito além da audição musical, como afirma nossa psicóloga de referência para este artigo, a Helida Valgas:

“a experiência de ouvir música, além de trazer lembranças, pode evocar experiências afetivas e explorar ideias e pensamentos que, a depender do grau de adaptação do indivíduo à perda, poderão ajudar o enlutado a dar sentido à perda e elaborá-la. A possibilidade de “reviver” experiências e/ou situações, acessadas pela audição de uma música que de modo especial remete ao falecido, pode significar uma possibilidade de ressignificação de tais experiências e a depender dos objetivos do terapeuta para tal ocasião, poderá até mesmo funcionar como facilitador da aceitação à perda. Por meio da audição, o enlutado pode entrar em contato com inúmeros sentimentos que muitas vezes não seriam evocados senão pela música.”

A arte como forma de superar a dor

Diante disso, devemos sempre dar uma chance ao poder da arte para a melhoria de nosso astral e, quando tudo parecer perdido, sempre haverá um musicoterapeuta com disposição para nos ajudar a retomar a rédea de nossas vidas através da música, de maneira sistemática, estruturada e interdisciplinar.

O luto é doloroso, a morte parece indecifrável, mas permita-se seguir em frente: procure um musicoterapeuta.

Comece agora mesmo, você pode não apresentar sintomas de um luto patológico, mas a dor da morte nunca é fácil, tranquilize os seus dias com a música, confira: A face saudosa da morte: ouça músicas de luto para aliviar a dor. 

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