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O que é o processo de mumificação, como funciona, ainda é feito hoje?

Processo de mumificação, taxidermia e embalsamento. Conheça a relação histórica e cultural entre as três técnicas e saiba a diferença entre elas!

Múmia egípcia Kherima, uma das relíquias perdidas no incêndio do Museu Nacional

Quando pensamos em múmias logo nos vem à mente os grandes impérios egípcios e as suas práticas de conservação do corpo com motivação espiritual. Poucos sabem, no entanto, que o processo de mumificação é anterior ao Antigo Egito e fez parte da cultura de diferentes sociedades ao longo da história, pelas mais diferentes razões.

Parece um assunto para curiosos, mas esse tema não se limita à descoberta dos mistérios de um passado longínquo.  

O processo de mumificação, ao lado da técnica da taxidermia e do embalsamento, é uma matéria de extrema importância para as Ciências Biológicas e para a História, além de ser vital para a antropologia.

Neste artigo, faremos uma viagem de frente para trás, conhecendo qual a relevância e a aplicação do processo de mumificação hoje, passando pela prática egípcia e desvendando as comunidades indígenas que já realizavam a técnica muito antes dos egípcios.

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Está pronto para essa aventura? Aperte os cintos e boa leitura!

Mumificação, taxidermia e embalsamento: qual a diferença entre os três?

Esses três processos possuem a mesma finalidade: preservar um corpo sem vida. No entanto, não é à toa que eles recebem nomes diferentes. 

Apesar de os resultados desses processos serem semelhantes, eles se diferenciam em técnica e objetivos.

A taxidermia é o ato de empalhar o corpo de um animal. Os registros mais antigos dessa prática datam do Antigo Egito, em que empalhava-se os animais considerados sagrados

Pesquisas recentes descobriram um verdadeiro cemitério de animais naquela região, trazendo novidades sobre a relação milenar entre os humanos e os animais de estimação. 

Hoje, a taxidermia é usada para fins científicos (exibir e catalogar espécies) e há também quem goste de eternizar seu animalzinho dessa maneira.

O embalsamento, ou embalsamamento, é propriamente a técnica de preservar um corpo humano. Fazia parte de uma das etapas do processo de mumificação, embora muitos utilizem os dois termos como equivalentes. 

Esse procedimento não tem uma receita única, mas se baseia em retirar o sangue do corpo e desinfectá-lo para retardar a putrefação

É utilizado até hoje para que os corpos possam ser exibidos nos velórios, transportados por longas distâncias ou usados em estudos de anatomia.

Já o processo de mumificação do Antigo Egito tinha como ponto de partida o embalsamento. Em que eram retirados o cérebro, os órgãos, as vísceras e os fluidos corporais. 

Depois disso, partia-se para a segunda etapa, de desidratação, usando-se uma espécie de sal grosso chamada natrão. O corpo era preenchido com diferentes materiais, principalmente serragem.

Apenas depois de cerca de 70 dias a desidratação era concluída e era feita nova limpeza, com óleos e álcoois, para então envolver o corpo com bandagens e enfeites (colares, pulseiras entre outros pertences do falecido).    

Agora que sabemos exatamente do que se trata o processo de mumificação, podemos explorar o seu histórico e o seu funcionamento nas diferentes culturas. Confira abaixo!

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A mumificação hoje, no Brasil e no mundo

O que mais se sabe hoje sobre o processo de mumificação diz respeito à cultura egípcia.

As múmias do Antigo Egito foram descobertas por meio de escavações e violação dos túmulos das pirâmides.

Antes  de o país entender a importância das múmias como patrimônio cultural, era muito comum a sua comercialização. 

Assim, elas estão espalhadas por todo o mundo e exibidas em diferentes museus para apreciação de curiosos e representação histórica.

No Brasil, há seis delas, cinco estão no Rio de Janeiro, obtidas durante os impérios de D. Pedro I e D. Pedro II, e uma foi doada para o Museu Egípcio e Rosacruz, de Curitiba, em 1990.

No entanto, o processo de mumificação não é exclusivo da cultura egípcia. Muitas comunidades indígenas do Brasil e da América Latina também realizavam esse tipo de culto.

Os acervos das múmias americanas no Brasil estavam concentrados no Museu Nacional e, infelizmente, foram gravemente danificados pelo incêndio em 2018

Lá, encontravam-se múmias da região de Minas Gerais, entre outros lugares. Algumas das múmias expostas eram produto de mumificação natural, uma das curiosidades desse incrível processo de petrificação.

Mumificação atual

Ainda existe o processo de mumificação atualmente, mas agora a tecnologia oferece aos cientistas outras ferramentas para realizar a técnica, conhecida como plastinação.

Esse procedimento existe desde 1977 e surgiu na Alemanha. Ele consiste em um processo muito mais rápido e muito mais cheiroso, digamos assim, que envolve materiais como silicone e resina para substituir a matéria orgânica dos cadáveres.

O que era pra ser um procedimento que visava melhorar o momento da investigação dos corpos por cientistas – que, com espécimes plastinados, teriam mais precisão em análises macro e microscópicas e teriam a felicidade de trabalhar sem o mau odor característico das múmias – também foi muito útil para exibir ao público externo as descobertas científicas.

Mesmo com todo esse aparato tecnológico, ainda há cientistas que preferem retornar alguns milênios na história e aplicar o processo de mumificação “tradicional”. Leia a seguir:

Múmia do século XXI

Mas não pense que mumificar pessoas é coisa do passado. Há muitos estudiosos que se dedicam a descobrir os procedimentos de mumificação dos egípcios, mas os ingleses Stephen Buckley e Jo Fletcher foram muito mais além.

Eles se ocuparam de remontar o passo-a-passo dessa prática, investigando múmias egípcias destinadas para estudos. Em 2011, ele aplicou a técnica em um taxista inglês que doou o próprio corpo para fins científicos

O procedimento durou três meses. A experiência resultou no documentário “Mummifying Alan: Egypt’s Last Secret”. 

As múmias russas

Corpo embalsamado de Lênin, exposto no mausoléu da Praça Vermelha

Um pouco antes desse experimento na Inglaterra, em 1924, os soviéticos, não satisfeitos com a morte de seu líder, decidiram por eternizar a imagem de Lênin.

O processo de mumificação do ícone político da União Soviética não era nada parecido com o dos egípcios, mas contou com técnicas exclusivas – e muito mais atuais – dos cientistas russos que tinham como objetivo manter o líder “vivo” e exposto para apreciação de seus seguidores.

Esse fato diz muito sobre o posicionamento político da URSS e sobre as relações internacionais pretendidas no início do século XX.

A muitos outros líderes ligados à URSS foi intentado oferecer o mesmo tipo de tratamento pós-morte, mas apenas quatro – inclusos Lênin e Ho Chi Minh – recebem manutenção até hoje.

A mumificação no Antigo Egito

Apesar das experiências russas, o experimento com o taxista e amante da ciência Alan Billis – realizado por Stephen Buckley e Jo Fletcher, comentado anteriormente – significa a primeira múmia em 3.000 anos

Isso porque, depois dos egípcios, ninguém mais havia se aventurado em realizar esse processo exatamente como era feito em sua origem.

O processo de mumificação do Egito chama atenção por suas especificidades, apesar de não ser um procedimento exclusivo daquela cultura.

Aquela civilização usava diferentes técnicas de mumificação, a depender da classe social do falecido, mas todas tinham um mesmo objetivo: preservar o corpo que um dia reencontraria sua alma.

Esse viés espiritual é exclusivo da cultura egípcia, de seus ritos e crenças na vida após a morte. 

O processo passou por diversos aprimoramentos durante seus mais de dois mil anos de prática e é considerado um dos mais eficientes

Afinal, temos acesso hoje a múmias produzidas em 2.000 a.C e, depois de tantos anos, os corpos se mantém preservados.

A mumificação no Antigo Egito significava mais que preservar o corpo e não se bastava no longo processo de petrificar cadáveres. O rito envolvia também a construção de pirâmides, sarcófagos e altares, que são os símbolos da incrível cultura daquela população. 

Processo de mumificação 20 séculos antes dos egípcios

Múmia Chinchorro

Por mais incrível que pareça, o Antigo Egito não foi o precursor da mumificação.

As múmias mais antigas de que se têm notícias datam de cerca de 9000 anos atrás e foram encontradas na região do deserto do Atacama, dividida entre Chile e Peru.

O grande responsável por esse feito é o povo Chinchorro, constituído por pescadores. Tudo o que se sabe sobre a cultura dessa população não passa de especulações feitas a partir de objetos e múmias encontradas em escavações.

Foram, provavelmente, um dos primeiros povos a optar por uma vida sedentária, ainda na Idade da Pedra, por encontrar na beira do Pacífico um local abundante em alimentos.

Sem acesso a metais e com ferramentas muito limitadas, o processo de mumificação dos chinchorros era muito particular e extremamente eficaz. 

Deduz-se que o objetivo em preservar os corpos também tinha muito a ver com sua crença espiritual, embora fosse muito diferente das intenções dos egípcios, dos russos e dos cientistas ingleses.

Ao que parece, todos, homens, mulheres e crianças, sem exceção, eram mumificados, mas não para fins de sepultamento. As múmias eram mantidas expostas entre os vivos, como se continuassem a fazer parte da comunidade

Os rostos ficavam escondidos por excêntricas máscaras de argila, acompanhadas por espessas perucas de cabelo natural.

As interpretações sobre esse fato podem ser muitas, mas foi isso que os cientistas conseguiram inferir investigando os 96 corpos mumificados que foram encontrados até agora. 

Cultura, religião, história e a incrível criatividade humana

A história dos processos de mumificação nas diferentes culturas ao redor do mundo, em diferentes tempos, com objetivos diversos é apenas um exemplo da capacidade humana.

Com nossos exclusivos polegares opositores, a imaginação sem limites e a devoção religiosa, política ou científica, somos capazes de produzir coisas maravilhosas, não é mesmo? 

Mais que isso, somos capazes de acessar e investigar as relações entre os feitos de nossos ancestrais, da Idade da Pedra aos tempos atuais, tudo isso motivados por uma característica comum a todas as sociedades: a criatividade.

Gostou dessa viagem pelas diversas técnicas dos processos de mumificação? Acompanhe nosso blog e receba muito mais conteúdos!

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