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  • Cemitério Dom Bosco

    O Cemitério Dom Bosco também é conhecido como Cemitério dos Perus devido ao bairro onde se encontra e a sua história ligada à ditadura militar.

    Ele fica localizado em São Paulo, no bairro conhecido como Perus, na Rua Ernesto Diogo de Faria, 860.

    No cemitério foram descobertos mais de 1000 sepultamentos clandestinos, cujos corpos desaparecidos eram de opositores ao autoritarismo e ao Governo militar. Esse episódio ficou conhecido como Vala dos Perus.

    A descoberta feita em 1990 gerou grande comoção e hoje há duas homenagens no local que fazem referência à época em que os que tinham pensamento contrário aos ideais políticos eram, sequestrados, torturados e mortos.

    O cemitério foi criado para sepultar indigentes e pobres não identificados, e também atende a famílias carentes da região com planos gratuitos de sepultamento e enterro.

    Cemitério Dom Bosco

     

    O Cemitério Dom Bosco fica no bairro dos Perus, na Rua Ernesto Diogo de Faria, 860. A rua possui fácil acesso pela Estrada do Pinheirinho.

    O local conta com estacionamento para carros e é contemplado por diversas linhas de ônibus da cidade.

    O horário de funcionamento é das 7h às 18h.

    Como chegar?

    O bairro é servido pela Linha 7 – Rubi do transporte ferroviário, e também pode ser acessado pelas Rodovia dos Bandeirantes, Rodovia Anhanguera, Estrada Velha de Campinas e pelo Rodoanel Mário Covas.

    Estrutura do Cemitério Dom Bosco

    O Cemitério Dom Bosco foi fundado em 1969 por Paulo Maluf, o então prefeito da cidade de São Paulo.

    O objetivo da implementação foi dar a dignidade de sepultar corpos indigentes e não identificados. Pelo preço acessível também se tornou a principal opção das famílias pobres da região.

    Conheça mais sobre a estrutura do Cemitério Dom Bosco, um dos maiores da capital paulista:

    • Conta com espaço de 254.000 m², sendo uns dos maiores da cidade;
    • Possui Capela Ecumênica;
    • 6 salas grandes para as despedidas;
    • Amplo estacionamento para carros;
    • Contabiliza mais de 150 mil sepultamentos.

    O cemitério, apesar de humilde, tem todos os caixões abaixo da terra com a placa com suas respectivas informações. Também possui ossários verticais e subterrâneos para famílias que não podem pagar por um sepultamento.

    O projeto original do cemitério incluía um crematório. Apesar de ainda não haver nenhuma notícia a respeito da ocultação de corpos, a empresa com a qual a negociação dos equipamentos necessários estava sendo feita suspeitou das verdadeiras intenções a respeito dessa implementação.

    Por isso, o crematório no Cemitério Dom Bosco nunca chegou a ser implementado. Para atender a população paulista, o crematório foi inaugurado no Cemitério Vila Nova Cachoeirinha e, apesar da demanda, também não vingou.

    Tempos depois foi transferido para o Cemitério Vila Alpina, onde funciona até hoje com o nome de Crematório Municipal de São Paulo.

    História

    A ditadura no Brasil foi o regime adotado de 1964 até 1985. O período faz parte da história do país e, apesar das tentativas de silenciamento do assunto, a história precisa ser contada. E o Cemitério Dom Bosco teve papel importante ao revelar detalhes enterrados dessa história.

    O regime autoritário no país foi caracterizado, entre outros fatos, pelo ato de perseguir e torturar aqueles que fossem contra as regras ditadas pelo comando, a fim de tentar silenciar a voz dos que se opunham ao governo.

    O Cemitério Dom Bosco foi fundado por Maluf com o intuito de sepultar indigentes, e essa informação nunca foi ocultada.

    Aconteceu que, em uma época onde o regime autoritário estava instaurado, o cemitério público foi o lugar perfeito para ocultar provas e ossadas de perseguidos políticos e desafetos.

    Ossadas da época da Ditadura Militar são encontradas

    Este capítulo da história brasileira que ficou conhecido como “Vala dos Perus” ocorreu em setembro de 1990. Na época, duas valas clandestinas foram abertas no Cemitério Dom Bosco, onde foram descobertas 1.049 ossadas de vítimas do regime político que durou de 1964 a 1985.

    Entre os corpos encontrados há militantes da oposição à ditadura mortos por violência policial e militantes desaparecidos que foram enterrados com informações falsas ou como indigentes.

    Das 435 caixas, até 2015 apenas 375 foram abertas. Da análise feita, os resultados são de que 80% do material encontrado pertenciam a homens , 15% a mulheres e o restante a menores de 18 anos.

    Até hoje, porém, somente 5 corpos foram identificados.

    relatos dos funcionários do local que comprovam a responsabilidade do regime autoritário sobre o descaso com os corpos.

    O jornalista Rodrigo Gomes entrevistou alguns funcionários do cemitério para a Agência Brasil. O relato dizia que os “terroristas” – que é como os militares se referiam aos opositores ao governo – vinham de uma forma diferente dos demais indigentes.

    Enquanto caminhões de serviço funerário transportavam de 4 a 5 corpos, os corpos dos perseguidos políticos vinham de um a um, acompanhados de carros oficiais e militares. Os oficiais fechavam o cemitério e só o reabriam depois que os corpos fossem enterrados.

    Os funcionários mais antigos tinham medo de expor o que sabiam, porém os relatos que restaram são suficientes para comprovar o ocorrido.

    Repercussão da descoberta

    O Cemitério Dom Bosco foi palco da descoberta que garantiu destaque na imprensa na época e ainda hoje é um acontecimento crucial que diz muito sobre o regime autoritário que o Brasil viveu.

    Existem diversos relatos, estudos e destaque para Vala dos Perus: a biografia, que conta detalhes sobre a abertura das valas clandestinas e descoberta das ossadas.

    O jornalista  responsável pela biografia, Camilo Vannuchi, diz que “escrever sobre a vala de Perus em 2020 é falar dos mortos, dos desaparecidos e dos ocultados de ontem e de hoje”.

    O ministro Pepe Vargas deu uma declaração sobre como a busca pela verdade é tarefa fundamental e nada mais do que a obrigação de um estado democrático.

    Disse também que a descoberta deve ser usada como forma de relembrar o que a repressão causou a população e que a melhor forma de reparar simbolicamente as vítimas da ditadura é revisitar o passado e impedir que isso aconteça novamente.

    Hoje, existem duas homenagens referentes a Vala dos Perus e a história é retratada em filmes e livros.

    A história contada nas paredes do Cemitério

    O Cemitério Dom Bosco é um dos lugares homenageados pelo Programa Lugares da Memória, do Memorial da Resistência de São Paulo.

    A necrópole, além de atender a população carente, tem marcas e memórias que ficarão eternizadas em suas paredes e na história do país.

    O local conta a história das lutas de resistência à opressão e a reivindicação dos direitos humanos e da liberdade de expressão, que não devem ser negadas a nenhum cidadão brasileiro.

    A polícia e as forças militares ainda são sinônimo de ordem e respeito – e isso é um fato. Porém ignorar o que ocorreu nos 21 anos de regime militar pelos quais o país passou é deixar muito para trás.

    Por isso, no cemitério há duas homenagens ao episódio que ficou conhecido como Vala dos Perus.

    Monumento aos desaparecidos políticos

    Por isso, em 26 de agosto de 1993, o monumento assinado por Ricardo Ohtake foi inaugurado em um dos muros próximos às valas clandestinas onde as ossadas foram encontradas.

    Foi no mandato da então prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, e três anos após as descobertas que no muro foi eternizada a seguinte frase:

    “Aqui os ditadores tentaram esconder os desaparecidos políticos, as vítimas da fome, da violência do estado policial, dos esquadrões da morte e, sobretudo, os direitos dos cidadãos pobres da cidade de São Paulo. Fica registrado que os crimes contra a liberdade serão sempre descobertos“.

    O monumento simboliza a preocupação da cidade com as vítimas da Ditadura. O monumento, segundo Erundina, não se trata de reparar os danos, mas reconhecê-los e utilizar as marcas do passado para escrever um futuro diferente.

    Paredes pintadas em homenagem às vítimas

    Outra homenagem mais recente foi feita por mais de 100 grafiteiros do bairro dos Perus em 12 de dezembro de 2015.

    “A história nunca morre, desde que seja lembrada”.

    Foi baseado nisso que o grupo grafitou os muros do Cemitério Dom Bosco criando um memorial utilizando a linha do tempo da ditadura para não deixar passar os acontecimentos que fazem parte da história do bairro.

    Falar sobre a ditadura e sobre o ocorrido ainda é tabu, seja no bairro dos Perus ou no Brasil todo.

    Homenagear o ocorrido 25 anos depois nos traz a importância de honrar a memória das vítimas e reconhecer as atrocidades cometidas pelo autoritarismo no país.